segunda-feira, 9 de julho de 2012

Tudo que é contraditório é humano


"Tudo o que é sólido  desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profano, e os homens finalmente são levados a enfrentar (...) as verdadeiras condições de suas vidas e suas relações com seus companheiros humanos" Karl Marx
 
Caras lagartixas

Inspirado pela leitura do conto "O rastro do teu sangue na neve", comecei a escrever um texto para retratar minha indignação comigo mesmo. Depois disso, acabei fazendo uma ordem cronológica da minha concepção de História, e por fim estabeleci uma conclusão que resultou no clube. Por isso vou postar aqui, principalmente com a intenção de recomendar uma leitura que constantemente se mostra a chave para lidar com tudo que me aflige: a comunicação. Ficou um pouco longo, mas enfim, se isso afastar vocês da leitura, é melhor que nem leiam mesmo. E também é melhor nem irem no clube, afinal, o jantar é para as leitoras! Brincadeira... (Ou não).
Obrigado por permitirem essa invasão,
beijos do lagartixo londrino.


Não tenho criatividade suficiente nem para escrever alguma coisa metafórica e bela para extravasar minha confusão. Sinto-me perdido, como se o mundo real não me pertencesse. Às vezes o mais tentador se resume a deixarmos nossa zona de conforto extremamente cômoda, e agir diferente disso e encarar a chuva e o sol soa como algo fantasioso e utópico. Na realidade, soa como algo que exige acreditar em si mesmo, e nada além disso. Mas como admitir tal pressuposto se somos condicionados a sempre existirmos de acordo com algum parâmetro estabelecido? Como acreditar em nossa própria capacidade se o usual é existir de acordo com alguma convenção, com algum estereótipo, com algum padrão determinado por qualquer um menos nós mesmos? Quem são esses “eles” além de nós mesmos?

Se ficamos atordoados com o fato de convenções determinarem nossa existência, jamais conseguiremos perspectiva suficiente para perceber que estamos mais que inseridos no sistema: nós o regulamos, individual e socialmente, a cada conduta mercantil que estabelecemos. No entanto, não existe uma libertação desse sistema, existe uma mudança de conduta que lhe proporciona uma outra visão desse mesmo sistema. A partir do momento que compreendemos a estrutura, nossas escolhas podem se tornar mais ou menos legítimas com nossa real vontade, já que assim conseguimos entender que muitas vezes agimos de modo contrário à nossa própria vontade e nem sequer nos damos conta. Perceber, nesse sentido, é extremamente conflituoso, já que depois disso nos damos conta da infinidade de condutas e comportamentos que temos e são diametralmente opostos ao que verdadeiramente gostaríamos de ser.

E perceber e fugir dessas contrariedades não é o caminho. Faz parte da existência humana compreender e viver essas contradições, mas infelizmente tudo que se faz é viver, e não me agrada nada chamar de vida algo que nem sequer compreendemos. Vida vai além de existir, não podemos abrir mão de nosso entendimento do universo que nos cerca. É preciso pensar, mas também é preciso agir. O pensamento só pode ser uma organização, e não uma preocupação, senão ficamos extremamente cautelosos e volta-se ao estágio atordoado.

O difícil, nesse contexto, é encontrar coragem para começar a pensar depois de agir. Estabelecer avaliações sobre quão distante passamos do nosso objetivo, e mesmo assim continuar caminhando. Lidar com as contradições, que são a base da existência moderna:
- Em 1600, Thomas Hobbes e John Locke trataram sobre a constituição do homem social. Resumindo, de forma bem sintética e erroneamente generalista, estabeleceu-se a noção do “estado de natureza”, ou seja: como era o homem antes dos costumes, das leis e das instituições. Nesse momento, algumas generalizações: o homem no estado de natureza era egoísta, competitivo e livre.
A subseqüente organização social derivou de um “pacto “, já que o estado de natureza era dominado pela guerra e pela disputa. Nesse sentido, todos abriram mão de uma parte de sua própria liberdade plena em nome da submissão às convenções estipuladas por algo maior, para quem cediam a liberdade absoluta em nome de uma liberdade social.
- Desde a Revolução Francesa até meados da década de 1950, a experiência humana foi moldada pelo projeto burguês, fundamentado na destruição do valor de uso em nome da perpetuação do valor de troca: nada existe pela sua finalidade em si, mas sim pela sua finalidade momentânea e coerente ao momento histórico em que incide. Todas as formas de existência foram reduzidas a um mesmo molde mercantil, fundamentada pela reificação do sujeito: a única possibilidade de existir estava vinculada aos parâmetros de lucro, ostentação e/ou desenvolvimento capitalista.
Mas se o desenvolvimento está determinado (apenas uma forma de desenvolvimento é considerada válida), como acreditar em alguma essência humana individual? 
-O mundo contemporâneo está fundamentado no sujeito pós-moderno: não mais somos definidos pelo que acreditamos, nem pelo que desenvolvemos – nossa definição se dá pela forma que exibimos nossa imagem e pela forma que o outro a assimila. Estamos inseridos num contexto de extrema alteridade e constante exacerbação dos sentidos em detrimento de nossa racionalidade: os estímulos estéticos balizam a relação comercial, e essa sustenta absolutamente todo o sistema capitalista.
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Organizando essa linha do tempo da existência moderna, estamos submetidos a um pacto que não assinamos quando nascemos. Estamos agindo de acordo com o projeto burguês, que em nenhum momento nos perguntaram se era o que acreditávamos. Estamos afirmando nossa existência de maneira exclusivamente mercantil, e nem sequer nos damos conta. Essa “pós-modernidade” é vista como muitos autores, como Adorno, Schopenhauer, Marx, Bauman, como o fim da existência humana e a perpetuação do sistema capitalista. A existência humana não consegue dar conta do entorno, principalmente pela velocidade das relações, que simplesmente se alteram constantemente, e se fundamentam nos estímulos sensuais e na banalização de nossa sensibilidade.

Nesse sentido, não mais conseguimos explicar nossa existência (capacidade notória do homem, desde os primatas buscando razões para os trovões, até Charles Darwin, classificando todas as espécies e a evolução), e ficamos aprisionados na fascinação estética do homem (também outra capacidade notória do homem: o ouro era valorizado muito antes da concepção de valor econômico simplesmente pelo seu brilho).

No entanto, Marshall Berman (motivo pelo qual estou aqui) propõe uma alternativa para isso. Nega qualquer tipo de "pós-modernidade" e afirma que estamos vivendo na modernidade, apesar de não nos darmos conta. Diz que, apesar de tudo que é sólido se desmanchar no ar, ainda podemos compreender nosso entorno nos comunicando. É engraçado, mas resumindo mal e porcamente o que ele acredita como alternativa para esse contexto é exatamente o que vocês fazem todas as quartas-feiras no clube: discutir, conversar, trocar opiniões, tentar estabelecer alguma verdade, mesmo que relativa e temporária. Ele diz que o modernismo está nas ruas, e não nos livros, e a única ferramenta que se mostra capaz de encontrá-lo é a comunicação. O livro dele se chama “Tudo que é sólido se desmancha no ar – a aventura da modernidade”. Ele faz várias relações com “O Fausto”, de Goethe; com “O Capital”, de Karl Marx, e com alguns poemas curtos mas emblemáticos de Baudelaire. Estou acompanhando alguns posts e discussões de vocês há algum tempo, e honestamente, acho que vocês iriam enlouquecer com o livro.

Extremamente organizador, ele apresenta uma solução para encarar essas contrariedades que fazem parte da nossa vida, e farão para todo o sempre. Ele fala sobre como muitas vezes esquecemos que deixamos um rastro, e que ignorá-lo é simplesmente perpetuar a existência humana como algo infantil e irresponsável, aonde, onerosa ilusão, todos merecem ser felizes o tempo inteiro: um brinde às contradições, que, se compreendidas, nos despertam do transe adolescente e nos jogam para a vida adulta, cheia de encantos e obscuridades. Enfim, eu recomendo!

Termino com a frase de um dos meus prediletos, Woody Allen:
"Eu odeio a realidade, mas ela ainda é o melhor lugar para comermos um bom steak."
E, claro, o melhor fica na casa da minha mãe, mas isso vocês já sabem!
Caio Belintani

17 comentários:

  1. Caro Lagartixo Londrino:

    É um prazer poder contar com vc no blog. Ainda mais com uma explanação destas.
    Vamos jogar na roda a sua sugestão.
    "Tudo que é sólido se desmancha no ar - a aventura da modernidade" de Marshall Berman.
    Realmente a experiência "in loco", nua e crua é infinitamente mais real que do que o que está escrito, porém, os livros nos preparam para conseguir amenizar o olhar para a realidade.
    Mas aposto no seu olhar e espero que vc possa cruzar a linha. "Sair do transe adolescente e se lançar para a vida", exige realmente que as palavras se transformem em atitudes.
    Tbm brindo com vc a vida - cheia de encantos e obscuridades, mas "vida", que como vc mesmo diz, tem que ser partilhada, discutida, e verdadeira (respeitando a verdade de cada um).

    "É preciso pensar, mas também é preciso agir". Isso...

    Amor,
    Lagartixa mãe.

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  2. Caião, lagartixo londrino,

    Vou citar um pouco Heidegger já que você nos citou tantos autores especiais...
    "A vida humana nos escapa quando a queremos compreender de uma postura teórica, objetivadora."
    "Quanto à indagação pelo sentido do ser, todas essas maneiras de dar sentido, e as perguntas pelo sentido que lues correspondem, ignoram o sentido do ser."
    "Temos de conduzir a nossa vida. Estamos entregues a nós mesmos. Somos aquilo que nos tornamos."
    "Quando se experimenta a angústia (busca por sentido), temos dois tipos: a angústia do mundo e a angústia da liberdade."
    "O sentido do ser é o tempo; mas o tempo não nos dá apoio nem orientação. O sentido é o tempo, mas o tempo não nos dá sentido."

    Aqui tem poucas palavras, mas assim como seu texto, exige reflexão.
    Caião, as escolhas são sempre nossas... Apesar do mundo capitalista, do sistema e da demanda de querer corresponder o desejo do outro, somos nós que escolhemos. Não podemos nunca culpar outros pela nossa vida, pois para mim, a vida é um reflexo de nossas escolhas.
    Falando nisso, vou reassistir ao último filme do Harry Potter novamente. Aliás, J.K.Rowling poderia ser considerada filósofa junto com Platão, Aristóteles e Heidegger.

    Amo vc muito.

    Cuide de suas escolhas.

    Te esperamos aqui

    C.J

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  3. Meu querido garoto.
    Pensar sempre dói, e o pior, estou falando por mim mesma. nunca se chega a um bom termo.Não sou uma pessoa muito otimista qto à humanidade.Na realidade acho que aos olhos dos outro valemos o qto brilhamos, por fora.Estamos sempre usando máscaras que nos escondem, e sofremos muitas vezes por ter, como num teatro, que representar papéis que nos dilaceram.
    Viver é difícil, e como vc citou, nos esquecemos que deixamos rastros e é aí que temos que tomar cuidado para não perpetuar uma existencia idiota.
    Mas estamos aqui e temos que tocar em frente.Não podemos fugir, estamos condenados a viver, seja qual for o sistema no qual estivermos inseridos.
    Liberdade, meu menino,para mim só existe na morte.

    Bom saber de vc.
    Te amo garoto.

    MARIA JOSE

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  4. Caio, menino pensante. Não é fácil nos descobrirmos em meio a tantos apelos e expectativas da sociedade. só desejo que nessa busca você encontre um caminho que permita que os teus domingos à noite sejam mais leves. o que quero dizer com isso é que desejo que as tuas segundas, terças, quartas, quintas e sextas sejam prazerosas, que você encontre um trabalho que te faça feliz, faça os teus colegas de trabalho felizes e te realize como ser humano. acredite, isso já é muito!
    quanto ao comentário da nossa querida maria josé, concordo em parte com o que ela disse sobre liberdade e morte. pra mim, a liberdade chega junto com cada perda (morte) que temos ao longo da vida.
    obrigada pela dica do Marshall Berman.
    um beijo com carinho e admiração, D.

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    1. Caio, querido, a gente não se conhece bem, mas reconheço em vc algumas das angústias que eu vivi. Admiro sua busca, seu intelecto, sua emoção. O plano do pensamento é fascinante, mas pode ao mesmo tempo tornar a vida mais complicada. Qdo pensamos em uma travessia, ela acaba por parecer mais complexa do que qdo realmente realizamos a travessia, passo a passo, momento a momento. Cada instante é diferente do outro. Quanto mais limpa estiver a nossa mente, quanto menos se sabe, se espera ou se prepara, mais se absorve a riqueza da vida. Mas a nossa natureza humana nos aprisiona, nosso ego nos suga. Queremos ser mais que os outros, queremos que nossa vida signifique algo a mais, queremos que a vida seja diferente do que ela é. Não é nada fácil abrir mão disso tudo, mas pode ficar como objetivo, como intenção e isso já é o bastante.
      Abraço carinhoso, margaret

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  5. "Qto mais limpa estiver a nossa mente, qto menos se sabe, se espera ou se prepara...."
    È isso mesmo Margaret, mas que difícil!!!!!!!!!!!!

    Bj MJ

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  6. Estou em choque Caio! Que clareza de pensamentos e como você escreve!
    Acho que não consigo acrescentar mais nada...
    ...O plano do pensamento é fascinante, mas pode ao mesmo tempo tornar a vida mais complicada...(Margareth), acredito nisso Caio!
    É uma eterna busca.
    beijocas com carinho
    Sil Azul

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  7. Caramba, adorei os comentários!
    Mãe, tão simples quanto aproximar o que eu penso do que eu faço... Afinal, CJ, são nossas escolhas que nos definem, muito mais do que o que pensamos! Com certeza, acho que quase tudo que assistimos ou lemos pode nos dar algum proveito para nossas vidas, afinal, "nos preparam para conseguir amenizar o olhar para a realidade"!
    Maria José, os personagens também somos nós, de alguma forma... Por mais pesada que sejam as máscaras, a escolha de mantê-las, que muitas vezes achamos que é algo inconsciente, acabam nos constituindo de alguma forma... Acho que a cada "morte", como disse a Denise, nos aproximamos de alguma "liberdade", nem que essa liberdade seja uma simples leveza para aproximar nosso rastro das pegadas que imaginamos estar deixando por aí. Com certeza, para mim, me livrar de máscaras me dá a sensação de que meu caminhar está mais livre, mais leve, ou então: mais limpo, como disse a Margaret...
    Margaret, quero dividir com você a conclusão do meu processo intenso de análise de 5 anos: em outras palavras, mas com o sentido bem parecido com o que você escreveu, estou tentando aprender a lidar com indefinições. Quantas oportunidades perdemos planejando, programando, controlando, prevendo? Para mim, isso foi sempre um conflito muito intenso, muitas vezes, quando eu chegava em um lugar diferente do que esperava, não conseguia nem avaliar se o resultado tinha sido bom o ruim, o simples fato de ter fugido do meu controle me paralisava. Mas estou tendo que desenvolver minha humildade para entender o que você falou, e que bom saber que essa intenção é um começo, com certeza me tranquiliza saber que o caminho certo não se sabe por antecedência, mas só depois de ter percorrido e absorvido tudo que ele pôde nos oferecer. E esses caminhos, como complementou a Silvia, serão eternos, essa é a existência que estamos "condenados", como disse MJ.
    Tirar proveito disso tudo acho que não é algo que pode ser resumido numa conclusão, mas sim numa intenção: esvaziarmo-nos de pré-conceitos para podermos aproveitar o percurso. Amar o processo, e não o resultado, foi minha intenção na última sessão de análise, e infelizmente também foi o diagnóstico da primeira consulta. Voltas, voltas, voltas, esse espiral me amedrontava, mas é bom saber que "cada instante é diferente do outro" e que só assim nos aproximamos da riqueza da vida.

    Beijos, bom jantar para vocês!

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  8. Tixo Londrino!
    Nosso jantar foi maravilhoso! A Joana é fascinante e o conto foi discutido a exaustão....CJ e eu nem conseguimos dançar nosso flamenco...
    cabeça a mil. (aqui são 02h35) cheguei agora em casa!
    Pergunta técnica, como diz nossa mestra: Você acha que foi acidental o espinho? Você acha que ela queria morrer?
    Quanto a sua resumida conclusão, posso dizer que SIM, "cada instante é diferente do outro" e que a vida é feita de momentos.
    beijocas carinhosas
    Sil Azul

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  9. Posso dizer a minha opinião, no máximo, mas acho que depois da especialista...

    Acho que o espinho representa o perigo das máscaras, o perigo de sucumbir ao desejo alheio sem se dar conta de que se está agindo de modo contrário ao que de fato gostaria. O espinho da flor do embaixador pode representar a mesma coisa que o carro, em um certo sentido: os dois são elementos que tornam a zona de conforto mais cômoda e contribuem para "esterelizar" um olhar próprio para a própria vida.
    Mas acho que inconscientemente rolou no espinho alguma percepção disso tudo: a conduta de Nena Daconte muda após o incidente; é a primeira vez que vemos sua cautela aumentar, muito embora não o suficiente para peitar o marido. Mas com certeza, seu pesadelo do carro andando na água pode representar essa insegurança que ela estava sentindo pela representação de papéis, que resultou na sua morte. Com certeza a negação do sexo na neve, e sua primeira falha como mulher, representam, na minha opinião, a consequência de se viver em nome do outro, e não de si próprio. Eventualmente precisamos compreender que esse contexto é extremamente nocivo, acaba com a possibilidade de compreendermos nossa própria realidade, vulnerabilidade e insuficiência. Para mim, o espinho é um divisor de águas entre a adolescência e a vida adulta, é um exemplo prático das memórias e do amor próprio como responsáveis por essa transição de eterno presente à uma postura mais humilde perante a vida.

    "O amor principiante constitui-se primeiro apenas de fugazes experiências de carinho e sensualidade. Porém, com o aprofundamento dos vínculos, nas relações mais duradouras, cada um dos amantes é chamado a dizer quem é, para tanto terá que contar de onde veio.
    Fingindo que nada disso necessita de respostas, durante a adolescência apenas brincamos de existir para um presente contínuo, convivendo basicamente com aqueles que nos aceitam como estamos conseguindo ser no momento e nada ou pouco esperam de nós: os verdadeiros amigos. Mas o hakuna matata não consegue ser completo nem definitivo, o amor e as memórias tendem a cobrar seu preço, nos despertam do transe adolescente."
    Psicanálise na Terra do Nunca - Rei Leão

    Pena que o espinho acabou esvaziando Nena por demais. Não sei se ela se machucar com o espinho foi intencional, mas para mim, com certeza foi intencional aproveitar o incidente para se conscientizar, de uma maneira mais responsável e adulta, pela sua própria vida. Constantemente somos picados, mas muitas vezes fazemos um bom curativo, nos dopamos de alguma forma, e não aproveitamos a experiência para crescermos. No caso de Nena, nada mais coerente do que sua morte. Àquela altura, depois de uma sequência de inadequações e onipotências, o que mais legítimo do que a morte? Letrada, vivida, conhecedora do mundo, mas ao mesmo tempo submissa às convenções, ao marido, à sua própria ingenuidade adolescente: tão simples quanto aprender na prática o básico - ação e reação.

    Beijos,
    Caio

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  10. "Viver é isto: ficar se equilibrando, o tempo todo, entre escolhas e consequências" Jean-Paul Sartre. Beijos, D.

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  11. Joana: a resposta da minha amiga quanto a leitura do GGM:

    I have read him in Polish (my Spanish is ....) as all his books are translated into our language and he is very popular in Poland:-)

    Bjos

    Tania

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    1. Queridas lagartixas, hoje acordei assim meio sorrindo impregnada pela nossa noite de ontem. Lembrei de Billy e Nena com compaixão. Vi a sala da Claudia iluminada pelas novas presenças maravilhosas da Joana, da Tania, da Aline. Ouvi o espanhol do Maria José, que me é tão familiar.

      Depois pensei na relação pais/filhos que a Claudia tem colocado em relevo. E tive assim uma espécie de insight que gostaria de dividir com vcs. Nada tão especial, todas já devem ter pensado nisto em algum momento, mas às vezes vale ventilar o já conhecido.

      Achei, naquele momento, que mais do que libertar nossos filhos para que voem sozinhos por outras latitudes no mundo externo ou interno, é preciso tentar libertá-los do nosso desejo que, sendo “nossos” filhos, sejam pessoas “especiais”, que “façam a diferença”, porque afinal é nosso narcisismo que está em jogo. Queremos admirá-los, queremos que os outros os admirem.

      Somos humanos e nossos egos estão lá à espreita todos os dias nos tentando com nosso desejo de ser “mais”. E então nossos filhos poderão passar noites em claro pensando em como corresponder a este desejo, como nos trazer os troféus que inconscientemente estamos esperando que nos tragam de seu vôo solo.

      Que liberdade seria, não ser nada, não ter que nada, e simplesmente ser. E poder olhar para nossos filhos e dizer, vc é mais um, como todos, na jornada da vida, que não é boa nem ruim, é a vida como ela é, e vc é o que é, e eu amo vc como vc é.

      Bom, mas ainda bem que somos humanos e temos este desafio de conviver que nossos demônios, caso contrário estaríamos como anjos no céu, porém jamais experimentaríamos aquele delicioso puchero dos deuses, aliás das deusas, Joana e Claudia. Bjs, bjs, margaret

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    2. Nem me fale, Margaret...

      Como diz a Thais, desde pequenos, traçamos um caminho, idealizamos uma história.

      Libertar, abrir mão, deixar seguir seja lá para o que for, deixar que façam suas próprias escolhas é difícil.

      Muitas vezes os pais se projetam nos sonhos dos filhos e os aprisionam e controlam.

      MJ tbm me ensinou a olhar de longe, mas com amor e cuidado.

      Trocamos, Margaret, como vc disse ontem, é tão bom poder acrescentar, ventilar...

      Mas com carinho e desprendimento, a coisa acontece.


      Obrigada.
      Bj,
      Cláudia

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  12. Noite interessante a de ontem!!
    Diferente. Outro temprero, outra interpretação, outra abordagem.
    Andei lendo o que tem se passado aqui, li tudo junto. Opiniões, depoimentos, relatos.
    A Joana nos trouxe ontem a possibilidade de ler o conto de de outra forma. Ela falou sobre a estrutura do conto, sobre a magica possibilidade do autor de criar um enrredo em poucas linhas com alguns elementos. A reunião que cada um faz destes elementos faz com que varias historias, se criem, ou varias versões da historia. A possibilidade de compartilhar todas estas versões faz a historia crescer em profundidade. Adorei o exercício!!!
    Lendo todos estes depoimentos como um texto, a posteriori, tenho esta mesma impressão, todos estão falando da mesma coisa, cada um com seu olhar, sua marca, seu traço. Coisas realmente valiosas pra pensar e mais..., coisas pra fazer!!!
    Caio, vc é um ótimo articulador, alias daria um belo escritor..., nada mau pros dias mais monótonos fazer de um monte de teoria uma historia rica ou sarcástica, ou engraçada... O que será que sairia??? Pra ser sincera to bem curiosa pra ler...
    Meninas queridas, vamos repetir a experiência??
    Bj grande, Thais

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