![]() |
| Sam Riley |
Sal Paradise
![]() |
| Jack Kerouac |
O Um,
![]() |
| Garrett Hedlund |
Dean Moriarty
![]() |
| Neal Cassady |
O Dois,
![]() |
| Kristen Stewart |
Marylou Moriarty
![]() |
| Lu Cassady |
e o Três. A Tríade.
Quem chega?
Caras Lagartas;
Estou há um tempão com o filme na garganta.
Pergunta: quem de nós não transgrediu?
Quando foi que enxergamos o limite da estrada?
Com alívio, vendo cada um de nós, respiro aliviada e constato que o carro não derrapou. Aprumamos, tomamos um rumo onde os pés tocam na vida de outra forma.
Vamos pensar na época em que o livro foi escrito: O que se cultuava?
Uma das frases que mais me marcou foi "Quem quer que controle a mídia, as imagens, controla a cultura" de Allen Ginsberg.
Outra, de Jack Kerouac, "Toda aquela velha estrada do passado desenrolava-se vertiginosamente como se a taça da vida tivesse sido entornada e tudo houvesse enlouquecido. Meus olhos ardiam naquele pesadelo acordado."
Dean Moriarty, personagem que não tem estrutura familiar (baseado na figura real de Neal Cassady), me lembrou a solidão e a dor do personagem Brandon (Michael Fassbender) do filme "Shame" de Steve McQueen.
Eles não cabem no próprio corpo, ardem com um desejo sem fim. Incendeiam, destroem, abandonam e choram um gozo dolorido, que imanta e devora.
No filme, as experiências não são sonhadas, mas vividas de forma explícita diante de nossos olhos.
Sob a batuta de Walter Salles, os personagens se materializam diante de nós com transparência e quase desespero.
Me "atrevo" a comparar com os grandes da época (cultuados) como Jean Paul Sartre e Charles Bukowsk.
O que se "vendia" era o foda-se e o vale tudo.
Viver significava se ver livre de valores.
Sob a batuta de Walter Salles, os personagens se materializam diante de nós com transparência e quase desespero.
Me "atrevo" a comparar com os grandes da época (cultuados) como Jean Paul Sartre e Charles Bukowsk.
O que se "vendia" era o foda-se e o vale tudo.
Viver significava se ver livre de valores.
Gostaria de trocar olhares, mudar de lente.
Assistam.
Bj,
Cláudia
![]() |
| Viggo Mortensen |
![]() |
| Willian Burroughs |
Uma viagem sem volta.
Curiosidades sobre o filme:
Levou oito anos para Walter Salles concluir o esperado Na Estrada, a adaptação de um dos maiores clássicos beat de todos os tempos. Assinado por Jack Kerouac, publicado em 1957, o livro se tornou uma das bíblias da contracultura, embalando gerações à procura de liberdade e experimentação na própria pele, numa era pré-internet.
Concorrente à Palma de Ouro em Cannes 2012, esta que é uma coprodução entre a França e o Brasil – apesar da produção executiva assinada pelo velho leão do cinema independente norte-americano, Francis Ford Coppola – dividiu opiniões em sua passagem pelo festival francês, o que certamente acompanhará também sua trajetória nos cinemas.
Conduzido com a habitual perícia de Salles, que leva consigo o roteirista portorriquenho Jose Rivera e o diretor de fotografia francês Éric Gautier, seus parceiros em Diários de Motocicleta (2004), o filme encharca-se da melancolia que é o tom predominante do livro, narrando as memórias do escritor iniciante Sal Paradise, o alterego de Kerouac - interpretado com intensidade na medida pelo ator britânico Sam Riley, o magnético intérprete do roqueiro Ian Curtis em Control.
É toda construída de nostalgia, portanto, esta memória das aventuras juvenis na estrada de Sal e seu amigo Dean Moriarty – este, por sua vez, o alterego do escritor Neal Cassady interpretado por Garrett Hedlund com uma voracidade que homenageia o jovem Marlon Brando, ator que chegou a ser pensado pelo próprio Kerouac para o papel, numa das muitas tentativas frustradas de adaptação para o cinema. Detentor dos direitos do livro desde 1979, Coppola, convidou, por exemplo, Jean-Luc Godard e Gus Van Sant, antes de Salles finalmente aceitar.
A tensão entre as diferenças profundas entre os dois personagens, unidos por uma mesma fome de vida, embalam uma vertiginosa troca de paisagens, de Nova York ao México, riscando na pele dos dois, e de vários companheiros de carona, um mapa de acontecimentos fortuitos. Como bebedeiras, canções, trabalhos eventuais, comida ruim ou nenhuma, a exposição às intempéries do clima, a camaradagem encontrada e logo perdida. E as mulheres.
Personagens marginais no livro, as mulheres ocupam um pouco mais de espaço na tela. A principal é Marylou (Kristen Stewart, deixando Crepúsculo para trás), a primeira mulher de Dean, que se torna uma espécie de galvanizador entre ele e Sam – já que Dean insiste em que ela vá para a cama com o amigo.
Esta espécie de amoralidade, que também se espalha ao consumo de drogas, além de bebidas, é um lembrete de um tempo bem mais libertário e libertino do que os dias atuais, cristalizando uma espécie de utopia em busca de uma vida sem limites que a chegada da maturidade baliza para Sal, mas não para Dean – que sonha em viver sem compromissos para sempre.
A segunda mulher de Dean, Camille (Kirsten Dunst, vivendo personagem inspirada em Carolyn Cassady), é justamente essa “voz da razão” na vida dele. Mãe de seus dois filhos, ela sinaliza seu desejo de parada e estabilidade. Mas não é essa a natureza de Dean.
Alguns personagens à beira do caminho introduzem um sabor especial, que desenha melhor essa época. O maior deles é Old Bull Lee (Viggo Mortensen), uma espécie de guru junkie diretamente calcado na figura do escritor William S. Burroughs, o autor de Almoço Nu que era o mais velho do grupo beat e, ironicamente, apesar das as viagens de todos os tipos que fez, foi o que morreu mais velho: 83 anos. Kerouac e Cassady morreram antes do 50 anos; o poeta Allen Ginsberg (no filme representado pelo personagem Carlo Marx, interpretado por Tom Sturridge), com 71.
Pequenas e marcantes são, igualmente, as passagens de três outras atrizes: Amy Adams, como Jane, mulher de Old Bull Lee, e alterego de Joan Vollmer, a primeira mulher de Burroughs que ele matou acidentalmente com um tiro, numa brincadeira de Guilherme Tell (episódio que não aparece em Na Estrada); Elisabeth Moss, como Galatea Dunkel, a jovem esposa abandonada pelo marido, Ed Dunkel (o estreante Danny Morgan), representando os personagens reais Al e Helen Hinkle; e a única brasileira do elenco, Alice Braga, como Terry, jovem mexicana com quem Sal tem um rápido caso quando colhe algodão na Califórnia e que evoca Bea Franco, que escreveu várias cartas a Kerouac, em 1947.
Steve Buscemi interpreta um homem que dá carona aos protagonistas e Terrence Howard (indicado ao Oscar por Ritmo de um Sonho), o jazzista Walter – traduzindo uma pegada mais jazzística do que roqueira na trilha sonora assinada pelo argentino Gustavo Santaolalla (outro parceiro de Salles em Diários de Motocicleta).
Não se trata de um filme catártico, e sim de um grande mergulho na melancolia, na perda, na passagem do tempo e das paixões. A câmera se instala na pele dos personagens e não larga mais seu turbilhão, seu frenesi pela vida, sua pulsão pelo movimento, pela experiência direta. Na Estrada realiza, assim, seu maior desafio: capta o aspecto fugaz do tempo presente, as relações humanas que se acendem e duram o instante de um fósforo, imperfeitas, passageiras, mas fundamentais. (Cineweb)
Concorrente à Palma de Ouro em Cannes 2012, esta que é uma coprodução entre a França e o Brasil – apesar da produção executiva assinada pelo velho leão do cinema independente norte-americano, Francis Ford Coppola – dividiu opiniões em sua passagem pelo festival francês, o que certamente acompanhará também sua trajetória nos cinemas.
Conduzido com a habitual perícia de Salles, que leva consigo o roteirista portorriquenho Jose Rivera e o diretor de fotografia francês Éric Gautier, seus parceiros em Diários de Motocicleta (2004), o filme encharca-se da melancolia que é o tom predominante do livro, narrando as memórias do escritor iniciante Sal Paradise, o alterego de Kerouac - interpretado com intensidade na medida pelo ator britânico Sam Riley, o magnético intérprete do roqueiro Ian Curtis em Control.
É toda construída de nostalgia, portanto, esta memória das aventuras juvenis na estrada de Sal e seu amigo Dean Moriarty – este, por sua vez, o alterego do escritor Neal Cassady interpretado por Garrett Hedlund com uma voracidade que homenageia o jovem Marlon Brando, ator que chegou a ser pensado pelo próprio Kerouac para o papel, numa das muitas tentativas frustradas de adaptação para o cinema. Detentor dos direitos do livro desde 1979, Coppola, convidou, por exemplo, Jean-Luc Godard e Gus Van Sant, antes de Salles finalmente aceitar.
A tensão entre as diferenças profundas entre os dois personagens, unidos por uma mesma fome de vida, embalam uma vertiginosa troca de paisagens, de Nova York ao México, riscando na pele dos dois, e de vários companheiros de carona, um mapa de acontecimentos fortuitos. Como bebedeiras, canções, trabalhos eventuais, comida ruim ou nenhuma, a exposição às intempéries do clima, a camaradagem encontrada e logo perdida. E as mulheres.
Personagens marginais no livro, as mulheres ocupam um pouco mais de espaço na tela. A principal é Marylou (Kristen Stewart, deixando Crepúsculo para trás), a primeira mulher de Dean, que se torna uma espécie de galvanizador entre ele e Sam – já que Dean insiste em que ela vá para a cama com o amigo.
Esta espécie de amoralidade, que também se espalha ao consumo de drogas, além de bebidas, é um lembrete de um tempo bem mais libertário e libertino do que os dias atuais, cristalizando uma espécie de utopia em busca de uma vida sem limites que a chegada da maturidade baliza para Sal, mas não para Dean – que sonha em viver sem compromissos para sempre.
A segunda mulher de Dean, Camille (Kirsten Dunst, vivendo personagem inspirada em Carolyn Cassady), é justamente essa “voz da razão” na vida dele. Mãe de seus dois filhos, ela sinaliza seu desejo de parada e estabilidade. Mas não é essa a natureza de Dean.
Alguns personagens à beira do caminho introduzem um sabor especial, que desenha melhor essa época. O maior deles é Old Bull Lee (Viggo Mortensen), uma espécie de guru junkie diretamente calcado na figura do escritor William S. Burroughs, o autor de Almoço Nu que era o mais velho do grupo beat e, ironicamente, apesar das as viagens de todos os tipos que fez, foi o que morreu mais velho: 83 anos. Kerouac e Cassady morreram antes do 50 anos; o poeta Allen Ginsberg (no filme representado pelo personagem Carlo Marx, interpretado por Tom Sturridge), com 71.
Pequenas e marcantes são, igualmente, as passagens de três outras atrizes: Amy Adams, como Jane, mulher de Old Bull Lee, e alterego de Joan Vollmer, a primeira mulher de Burroughs que ele matou acidentalmente com um tiro, numa brincadeira de Guilherme Tell (episódio que não aparece em Na Estrada); Elisabeth Moss, como Galatea Dunkel, a jovem esposa abandonada pelo marido, Ed Dunkel (o estreante Danny Morgan), representando os personagens reais Al e Helen Hinkle; e a única brasileira do elenco, Alice Braga, como Terry, jovem mexicana com quem Sal tem um rápido caso quando colhe algodão na Califórnia e que evoca Bea Franco, que escreveu várias cartas a Kerouac, em 1947.
Steve Buscemi interpreta um homem que dá carona aos protagonistas e Terrence Howard (indicado ao Oscar por Ritmo de um Sonho), o jazzista Walter – traduzindo uma pegada mais jazzística do que roqueira na trilha sonora assinada pelo argentino Gustavo Santaolalla (outro parceiro de Salles em Diários de Motocicleta).
Não se trata de um filme catártico, e sim de um grande mergulho na melancolia, na perda, na passagem do tempo e das paixões. A câmera se instala na pele dos personagens e não larga mais seu turbilhão, seu frenesi pela vida, sua pulsão pelo movimento, pela experiência direta. Na Estrada realiza, assim, seu maior desafio: capta o aspecto fugaz do tempo presente, as relações humanas que se acendem e duram o instante de um fósforo, imperfeitas, passageiras, mas fundamentais. (Cineweb)
Baseado no best seller e um dos símbolos da contra cultura "On the Road - Pé na Estrada", escrito por Jack Kerouac nos anos 50.
O livro foi eleito pela revista “Time” como um dos 100 melhores em inglês entre 1923 e 2005.
A produção executiva é de Francis Ford Coppola, que comprou os direitos em 1979 e não conseguiu tocar o projeto adiante por décadas.
Ao longo das décadas, vários roteiros foram escritos em tentativas de adaptar o livro "Pé na Estrada" para o cinema.
Segundo o diretor Walter Salles, 15 roteiros haviam sido escritos antes da versão usada no filme.
Durante o processo de confecção do roteiro, Walter Salles e o roteirista Jose Rivera tiveram acesso a uma cópia do manuscrito de "Pé na Estrada", que estava com o irmão da última mulher do autor Jack Kerouac.
O início do manuscrito era bastante diferente do livro e influenciou o roteiro do filme.
A atriz Kristen Stewart entrou para o elenco do filme bem antes de ficar conhecida graças à série Crepúsculo.
Ela foi indicada ao diretor Walter Salles pelos colegas Alejandro González Inárritu e Gustavo Santaolalla, que haviam visto seu desempenho em Na Natureza Selvagem (2007).
Na época Salles teve que anotar seu nome, já que nunca tinha ouvido falar dela.
Em conversa com o diretor, Kristen Stewart declarou ser fã do livro e que faria qualquer coisa para interpretar Marylou.
Na época ela tinha entre 16 e 17 anos, a mesma idade da personagem.
Entretanto, atrasos na produção fizeram com que as filmagens apenas começassem anos depois, quando a atriz já era bastante conhecida.
O ator Viggo Mortensen foi escalado para um papel no filme muito por ser um profundo conhecedor da cultura beat, que teve como um de seus ícones Jack Kerouac, autor de "Pé na Estrada".
Para melhor compreender o universo de "Pé na Estrada", Walter Salles resolveu rodar antes um documentário sobre o percurso citado no livro.
Desta forma ele e uma pequena equipe percorreram o mesmo caminho, entrevistando pessoas e captando informações sobre a ambientação a ser utilizada em Na Estrada.
Antes do início das filmagens, Walter Salles reuniu o elenco por três semanas em um acampamento sobre a cultura beat.
Segundo a atriz Kristen Stewart, neste período todos ouviram entrevistas de Jack Kerouac e discutiram literatura.
As filmagens começaram em agosto de 2010, em Montreal, no Canadá.
De lá o elenco viajou para Quebec, Calgary, México, Arizona, Louisiana, Califórnia, Argentina e Chile.
Ao chegar para as filmagens em Nova Orleans, Viggo Mortensen levou consigo as roupas de seu personagem, as armas que poderia usar na época retratada e uma máquina de escrever.
Além disto, havia feito uma pesquisa aprofundada sobre o que o autor William F. Burroughs estava lendo na época. (Cineclick)
O livro foi eleito pela revista “Time” como um dos 100 melhores em inglês entre 1923 e 2005.
A produção executiva é de Francis Ford Coppola, que comprou os direitos em 1979 e não conseguiu tocar o projeto adiante por décadas.
Ao longo das décadas, vários roteiros foram escritos em tentativas de adaptar o livro "Pé na Estrada" para o cinema.
Segundo o diretor Walter Salles, 15 roteiros haviam sido escritos antes da versão usada no filme.
Durante o processo de confecção do roteiro, Walter Salles e o roteirista Jose Rivera tiveram acesso a uma cópia do manuscrito de "Pé na Estrada", que estava com o irmão da última mulher do autor Jack Kerouac.
O início do manuscrito era bastante diferente do livro e influenciou o roteiro do filme.
A atriz Kristen Stewart entrou para o elenco do filme bem antes de ficar conhecida graças à série Crepúsculo.
Ela foi indicada ao diretor Walter Salles pelos colegas Alejandro González Inárritu e Gustavo Santaolalla, que haviam visto seu desempenho em Na Natureza Selvagem (2007).
Na época Salles teve que anotar seu nome, já que nunca tinha ouvido falar dela.
Em conversa com o diretor, Kristen Stewart declarou ser fã do livro e que faria qualquer coisa para interpretar Marylou.
Na época ela tinha entre 16 e 17 anos, a mesma idade da personagem.
Entretanto, atrasos na produção fizeram com que as filmagens apenas começassem anos depois, quando a atriz já era bastante conhecida.
O ator Viggo Mortensen foi escalado para um papel no filme muito por ser um profundo conhecedor da cultura beat, que teve como um de seus ícones Jack Kerouac, autor de "Pé na Estrada".
Para melhor compreender o universo de "Pé na Estrada", Walter Salles resolveu rodar antes um documentário sobre o percurso citado no livro.
Desta forma ele e uma pequena equipe percorreram o mesmo caminho, entrevistando pessoas e captando informações sobre a ambientação a ser utilizada em Na Estrada.
Antes do início das filmagens, Walter Salles reuniu o elenco por três semanas em um acampamento sobre a cultura beat.
Segundo a atriz Kristen Stewart, neste período todos ouviram entrevistas de Jack Kerouac e discutiram literatura.
As filmagens começaram em agosto de 2010, em Montreal, no Canadá.
De lá o elenco viajou para Quebec, Calgary, México, Arizona, Louisiana, Califórnia, Argentina e Chile.
Ao chegar para as filmagens em Nova Orleans, Viggo Mortensen levou consigo as roupas de seu personagem, as armas que poderia usar na época retratada e uma máquina de escrever.
Além disto, havia feito uma pesquisa aprofundada sobre o que o autor William F. Burroughs estava lendo na época. (Cineclick)












