domingo, 8 de julho de 2012

Old boy

"Quer seja um grão de areia ou uma pedra, na água ambos afundam igualmente."
 Você não pode exigir a resposta certa se fizer a pergunta errada.
O filme Old boy mexeu bastante comigo... é uma história de vingança, desejo, amor, busca de sentido, aprisionamento e violência... tanto física quanto emocional... A violência emocional do filme dá arrepios na espinha e nos remete a única proibição universal. 
A história tem muito sangue ao mesmo tempo que entra música clássica nas cenas que tive que fechar os olhos.
Achei semelhante em algumas partes com as cenas do anticristo e a base nos dois filmes é o desejo humano.
O desejo que condena

Freud no mal estar da civilização, apresenta como tese como a cultura estabelece um mal estar nos seres humanos, pois existe uma contradição entre nossos desejos e as leis da civilização. Temos que abrir mão dos nossos desejos para que a vida na sociedade seja viável. O pecado surge nesse sentido para estabelecer o certo e errado, vinculado com a religião. O ser humano sofre constantemente pois precisa renunciar seus desejos ou substituí-los por outros aceitáveis na sociedade. Por isso o sentimento de culpa prevalece, pois de alguma forma é o que une os seres humanos.
Gostaria muito que todas lagartixas assistissem a esse filme pois gostaria muito de escrever sobre Lévi Strauss quando todas souberem do final (que não teria graça se eu escrevesse agora e desvendasse o grande prazer do filme, descobrir por que e quem manteu o protagonista sequestrado por 15 anos).
No aguardo de todas
Com carinho
Carla
Advento de uma nova ordem

9 comentários:

  1. "Os amantes se amam cruelmente
    e com se amarem tanto não se vêem.
    Um se beija no outro, refletido.
    Dois amantes o que são? Dois inimigos. (...)"

    Destruição (Carlos Drummond de Andrade)

    por Carla

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  2. nossa, que verdade cruel! amo que joguem verdades na minha cara... d.

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  3. sobre o filme, carlinha, vou colocar na lista, beijos

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  4. Como é difícil colocar os pés no chão.
    Um concreto construído por nós, com o peso da nossa existência.
    "Desejamos" desde os primórdios da nossa pequena (ez) existência. Recuamos, travamos, ou nos aprisionam.
    Mas que portas devem ser abertas?
    A paixão desnorteia, entorpece, confunde.
    Mais uma vez o espelho nos revela as profundezas da alma.
    "Injetamos" no outro e sorvemos aos poucos a vida que projetamos.
    Alguém se desmancha ou se "esvai" para que o desejo permaneça vivo.
    Limites.
    Quando devemos renunciar?
    Acho que quando nos damos conta da existência do outro além de nós.

    O Amor não machuca, aquece.
    Não bate, abraça.

    Graça, Graça, Graça.

    Vida.

    Vc disse:
    A Natureza desfaz.
    A Vida organiza.

    Bj

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  5. Às vezes aquece, às vezes braça e muitas vezes tb mata.....
    Abraço apertado demai asfixia.
    Bj
    MJ

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  6. Agora, eu diria que o dia tem quer 28 horas!!!
    Ufa, tô sempre atrasada....
    Vou adicionar à minha lista, Carla! Obrigada!
    beijocas
    Sil Azul

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  7. O amor aquece e abraça, que mostra o lado da graça sim...

    Como no filme A Árvore da Vida: temos dois caminhos possíveis, o da Natureza e o da Graça... o da graça sempre me pareceu graça mascarada a outros, mas hoje vejo que não. A graça pode ser sincera e espontânea como a natureza, pode haver um desejo de graça e é nisso que consta a graça do amor... do amor de fato...

    O que confunde o nome amor e o carrega de tamanho peso é na realidade o peso do relacionamento, da expectativa, da insegurança e da falta de liberdade que normalmente se coloca em uma relação.

    Acabo de sair de uma tempestade em relação a isso, entendendo que se relacionar é tão difícil que, por vezes, não me vi disposta ou não me vi competente, capaz de estar nisso. Mas o jogo se inverteu quando sai de mim e dialoguei sobre todos esses fantasmas que, em maioria, nunca encontraram lugar na realidade, apenas a assombravam tentando conquistá-la.

    Sem dúvida, o conflito vicioso e universal é o conflito entre desejo pessoal e ser social... tive em uma aula de psicanálise: o que queremos não é necessariamente o que desejamos. Querer x desejar. Queremos ser tal tipo de pessoa, queremos desejar algumas coisas, por uma série de motivos, mas o desejo nem sempre alcança isso. Mas, acho que isso não precisa ser considerado sem saída. Creio que em maioria o sofrimento em relação a isso pode ser evitado, se pararmos para nos escutar e nos cuidarmos, nos olharmos de cara limpa, afinal, de comum as máscaras tem a abertura nos olhos, sempre poderemos enxergar se quisermos... enfim, se nos olharmos podemos descobrir que nosso desejo não é sempre tão impossivel de ser realizado e assumido ao social... da mesma forma que somos agredidos com o que vem de fora, podemos "agredir" um pouquinho sim para fora, podemos pedir paciência e compreensão à assustadora sociedade, que nada mais é, um bando de cada um...

    Depois de um massacre de descrença, estou, por fim, otimista e iluminada... acho que é uma questão de escolha. O peso estará sempre presente, mas alguns sobrepesos podemos tirar para não virarmos corcundas precocemente...

    Beijos no bando cada um!

    Jú.

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  8. OBS: O espelho, também, ao invés de necessariamente ser o poeminha de Quintana, "O amor é um beijo no espelho", pode na realidade ser uma das melhores pontes de acesso direto à nós mesmos. Termos um espelho em nossa frente, nos obrigando a nos olharmos. Nunca me enxerguei como agora, enxergo minhas graças e muitas desgraças, muitos lados que nunca teria percebido sem alguém segurar um espelho diante de mim. O relacionamento me trouxe isso, me mostra a todo momento isso...

    Bj!

    Jú.

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