quinta-feira, 29 de novembro de 2012

PROXIMIDADE


Noite de Proximidade e Harmonia... Margaret

Bom dia, meninas, nosso jantar ontem estava íntimo, sereno e delicioso!

Continuo com saudades das lagartixas que não encontrei. Espero vê-las muito breve para nossos abraço com ventosas.

Obrigada, Claudia, pela comida maravilhosa que alimenta nosso corpo e alma.

Obrigada pela sua constância. Ela nos conduz por um caminho de crescimento que vamos trilhando juntas, sempre.

Obrigada por nos receber até num dia em que seus lindos olhos sofreram uma reVISÃO.

Obrigada pela luz da sua casa que nos ilumina com ternura e aconchego.

Beijos a todas, com carinho especial para a Silvia.

margaret

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O VISITANTE - VARGAS LLOSA


As várias faces de um Homem

A descrição inicial revela a hostilidade e ambiguidade da natureza.
Nota-se que por "trás do "curral" a terra é dura e áspera".

Por trás do homem existe o "bicho" com sua natureza selvagem.

"Dona Merceditas contemplou com os olhos assombrados", a ausência de clareiras dentro da selva.

A natureza "trai" por si.
Vem de dentro o perigo, "por baixo do capim seco que oculta tudo, o solo irregular, as cobras e os minúsculos pântanos."

"Um simulacro" - que finge, que remete ao contrário, que trai o que é aparente, pois corresponde ao seu avesso.

A mulher dorme em cima de sacos enquanto a cabra rumina e "bale para o ar morno da tarde".

As duas pressentem a chegada do "visitante".

Dois bichos que farejam o inimigo.

Um estranho que é identificado como "negro, sujo e Jamaicano - estrangeiro.

Com "voz melodiosa e sarcástica", a dança da humilhação e sadismo começa.

A mulher o conhece, não reluta em obedecê-lo e se sujeita.

Pergunta o porquê da presença.

O Jamaicano assim como a cabra, ficou ruminando a vingança.

A natureza trai por trás do mato e o traidor é traído.

Uma violência muda vivida e pactuada por todos.

O personagem mais meigo do conto é a cabra que lambe e acompanha seus donos.

No final, "no bosquezinho brota um rumor de galhos e folhas secas se quebrando."

Ele começa o conto falando do que está escondido por trás das folhas secas e termina nos marcando com a gargalhada histérica da vingança e a presença de sangue que se anuncia no meio do mato.


Cláudia Belintani Abbud

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

EL HERMANO MENOR



"De repente, o Colorado se rendeu: com sua cabeça esbelta pendendo para o chão, como se estivesse envergonhado..."


Silvia querida:


Alguém perguntou ao Boaz (não sei se vc ou a Tânia): por que os meninos brigam? Ele respondeu de bate  pronto: pela honra.


Li "O Irmão Menor" e pensei na pergunta e na resposta - induzidos pelo Llosa, com sua febre de juventude e transição que o livro "Os Chefes" nos transporta.


Honra:  Um sentimento humano relacionado com a procura do respeito público, manutenção de bom-nome e dignidade. Relacionado também com glorificar ou distinguir (honrar).


 Bandeira, estandarte, brasão, algo a ser preservado, em nome da, em defesa da, por...


De novo bichos... Desta vez cavalos tocam a realidade em detrimento do olhar humano.


O irmão civilizado, alheio ao ânima, distante da visceralidade.


Vem de Lima "o irmão menor", não sabe pegar em armas e se impressiona com a capacidade do mais velho em ter a arma como continuidade do corpo, como se sempre estivesse ali, em punho, armada para o que não se encaixasse.


Onde?

Num lugar um pouco distante da civilização, onde índios são escravos e se curvam frente aos seus "donos".

Quem mata?

 "O Irmão Menor"? "O que Controla"? Ou a "Irmã Que Mente"? 

De novo Peter Pan e sua Sombra. 
Uma cadela prenhe se insere na narrativa e revela a carência dos irmãos. 
Um desejo de bicho enjaulado na "menina mimada e malvada" que esperneia. 
Irmãos que se lançam num precipício e se perdem com a chegada da noite e da névoa. 
Um Índio que se entrega ao seu destino e se deixa morrer. 
A água da cachoeira que cai e abafa os sentidos e o final apoteótico no lombo de um garanhão que trava uma batalha entre homem e bicho. 

Quem vence? 
Como fugir do animal? 
De novo meninos e suas bandeiras intransponíveis. 
Em nome da honra.

Bj,
Cláudia

domingo, 18 de novembro de 2012

Mega Atrasado...

Oi confrades queridas, todas bem?

Comunicando que o próximo conto será "O Irmão Menor" ainda do Llosa, quase acabando o livro!
Saudades de todas e muitas beijocas
Silvia

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Viva todos os homens!

meninas, coluna de um amigo, vale a pena, bom olhar, ainda mais depois da coluna preconceituosa na veja, sempre a veja!, desta semana. beijos e boa leitura. D.


http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/ivan-martins/noticia/2012/11/viva-os-homens-suaves.html

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O DEBATE - OS CHEFES - LLOSA



Por trás da lente

Os Chefes

Por que a briga?
Para soltar a fera?
Satisfaz?
Momentaneamente sim.
Depois, fica um gosto amargo na boca e algo se perde.
E se perde algo que levou anos para se construir.
Opiniões contrárias, visões diferentes de um processo, o outro com um olhar estranho ao nosso, regras e protocolos não acordados e está armada a batalha.
Porretes, intrigas, poder e " coiotes".
E o Sol castigando, instigando, desnorteando, fritando… (uma magnífica alusão ao Camus em "O Estrangeiro" - estranho, além, indiferente, insensível, à parte).
O sangue fervendo,  meninos se perdendo, em nome do poder de mandar e dirigir.
"Big brother".
Quem vai para o paredão?
Quem fica e quem sai?
Conversas nos bastidores, intrigas e mentiras à meia voz.
Ainda bem que no final, a fera se acalma e uma mão pousa sobre o ombro.
"Estamos juntos" diz um dos meninos.
Independente das diferenças o que importa é estar ao lado.
Sem bicho.
Genial o conto.
Totalmente o que vivemos.

" - Muito bem - disse León. - Vamos tentar ajudá-los.
Apertem as mãos.
Lu levantou o rosto e me olhou, com pena.
Ao sentir sua mão entre as minhas, achei-a suave e delicada e lembrei que era a primeira vez que nos cumprimentávamos assim.
Demos meia-volta, caminhamos em fila até o colégio.
Senti um braço no ombro.
Era Javier."
Mario Vargas Llosa no parágrafo final do conto "Os Chefes".

Cláudia Belintani Abbud

Fiquei tac no conto inteiro, nesse final me senti tão aliviada com a nova situação, com o ombro amigo!
Devorei....
Beijos

Silvia Bejar

pois eu fiquei puta que eles voltaram para o colégio, tava na torcida para que conquistassem o que estavam reivindicando, que é justo e que é direito deles escolher as coisas. o conto é bom, olha quanta agitação já tá causando.

beijos
 D

Puxa, amanhã vou perder este debate...  não poderei estar com vcs,

Bjs a todas, enjoy!  
margaret 

A história deste e de outros contos tem como cenário a cidade de Piura, no norte do Peru. Uma cidade praieira, conhecida por sua hospitalidade e seu clima de verão.

  • O pátio do Colégio.
  • O escritório/sala do diretor.
  • Os espaços urbanos da cidade: a praça Merino, a avenida Sánchez Cerro, o “ malecón”, beira mar/ calçadão/
  • O rio/ afastado da cidade/ um rio que corre uma vez por ano?
  •  

A aproximação dos meninos com animais: eles aparecem como bichos
Corvo
Veado
Urubu
Pato
Feras
Ratazana amarelada (p.74)
Animal (cale-se! Repetiu com ira. – Cale-se animal! (p.77)
Dois cachorros
Um lagarto (pele do rosto de Lu)
A cara de macaco de Leão
Cabrito (p.88)

Um universo de raiva
Cólera
Convulsionando
Colérico
Atacar o inimigo
porretes
A insistência do ódio que chega a excitá-los
Brigar fisicamente: uma etapa normal de meninos
  • Brigar pro algo melhor para todos: as ações políticas, as ações solidárias.
  • Lutar pela injustiça/ o coletivo versus o individual; a consciência de brigar por melhores respostas; melhores condições; não suportar a decisão impositiva e poderosa do diretor
  • A questão da solidariedade dos meninos que empurrados pela fúria, também pensaram em ser solidários
  • A não solidariedade e portanto o ataque de mostrar seu poder ou sua valentia : uma forma muito própria de lutar (sozinho) de Lu
  • A questão das diferenças físicas, meninos de várias origens:
 Alberto (p.78) (o loirinho de olhos verdes muito abertos “parecia de ouro”  X Lu, de olhos rasgados (ou oriental ou descendente de índio, como convém a maior parte da população do Peru)

caras confrades,
hoje estarei ausente. infelizmente.
aqui alguns comentários e apontamentos deste conto de Llosa, que se somam aos de Cláudia, Sílvia e Denise.
também acrescentei um pouco do que a internet nos traz sobre este importante  livro de estreia do prêmio Nobel de Literatura.

ótima noite literária pra todas.
bj.
joana
 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

OS CHEFES






Meninos...

Los jefes (cuento)

Autor: Mario Vargas Llosa

Género: Cuento Literario

Publicación: Febrero de 1957

Los Jefes es un cuento del escritor peruano Mario VargasLlosa, que fue publicado en febrero de 1957, en forma de separata en la revista "Mercurio Peruano". Fue el primer relato que publicó el autor, que luego pasó a ecabezar su colección de cuentos del mismo nombre, publicada en 1959.

Contexto:

El relato se inspira en un episodio real que vivió el escritor cuando cursaba el 5º año de secundaria en el Colegio San Miguel de Piura, a fines del año 1952; él mismo lo cuenta en su libro de memorias El pez en el agua. Sucedió que el director del colegio, el doctor Marroquín (en la ficción, Ferrufino), decidió arbitrariamente que los exámenes finales no se tomarían según un horario preestablecido, como era costumbre, sino de improviso, de modo que el alumno debía estar preparado en todas las materias o cursos. Ello, como es natural, provocó honda preocupación pues los alumnos temieron salir reprobados en varios cursos. Mario, junto con su gran amigo, el “gordito” Javier Silva (que años después sería ministro de Economía y Finanzas), alborotaron a sus compañeros para rebelarse contra el experimento del director. Celebraron reuniones y una asamblea en la que se nombró una comisión, presidida por Mario, para hablar con el director. Éste los recibió en su despacho y escuchó educadamente el pedido de los alumnos de poner horarios a los exámenes. Pero al final el director les hizo saber que su decisión era irrevocable. Entonces, Mario, Javier y otros compañeros planearon una huelga. Una noche decidieron no ir a clases, hasta que se levantara la medida. En la mañana acordada, a la hora de clases, se replegaron al malecón Eguiguren. Pero allí, algunos muchachos, asustados, comenzaron a murmurar que podrían ser expulsados. Se armó una discusión entre los alumnos, y un grupo, al fin, rompió la huelga. Desmoralizados con la deserción, los demás acordaron regresar para las clases de la tarde. Mario fue llevado por el jefe de inspectores a la oficina del director, y como castigo, fue suspendido por siete días. El escritor considera este episodio como el primer brote de una inquietud (podríamos calificarla de social), aunque, como bien lo recuerda todavía, no se interesaba aún en la política.

Años después, cuando Mario era ya estudiante en la Universidad de San Marcos, se presentó a un concurso de cuentos convocado por la Facultad de Letras. Sus dos relatos que presentó estaban ambientados en Piura e inspirados, uno de ellos, «Los jefes», en el intento de huelga en el colegio San Miguel, y el otro, «La casa verde», en el burdel del mismo nombre (1956). Pero no obtuvo ni siquiera una mención y al rescatar el manuscrito, se deshizo de la «La casa verde», al considerarlo muy malo (retomaría el tema años más tarde, en una novela), pero el de «Los jefes», «con su aire un tanto épico, en el que se traslucían las lecturas de Malraux y Hemingway», le pareció rescatable, y en los meses siguientes lo rehizo, hasta que le pareció digno de ser publicado. Como era muy largo para el suplemento dominical de El Comercio, lo propuso al historiador César Pacheco Vélez, que dirigía la revista Mercurio Peruano. Pacheco aceptó y lo publicó en febrero de 1957. Dos años después, el relato encabezó un conjunto de cuentos publicado por el autor, ya en formato de libro y que adoptó su nombre.

Argumento:

Narrado en primera persona por uno de sus protagonistas, un estudiante de 5º año de secundaria del Colegio San Miguel de Piura, trata de una rebelión estudiantil contra la decisión del director de no poner horarios a los exámenes finales. Asimismo, trata de la rivalidad del protagonista con Lu, un compañero que le ha desbancado en el liderazgo de la banda de los «coyotes». Ambos muchachos se ven obligados a olvidar sus discrepancias para hacer frente al enemigo común, personificado en el director del colegio. La huelga se disuelve ante la negativa de continuarla de parte de los alumnos de primaria y de los primeros años de secundaria, temerosos de las represalias de las autoridades del colegio.

Escenarios:

La acción se desenvuelve en Piura, una ciudad de la costa norte del Perú. Los escenarios son:

El patio del Colegio.
La oficina del director.
Los espacios urbanos de la ciudad: la plaza Merino, la avenida Sánchez Cerro, el malecón.
El malecón

Bandeiras...

Personajes:

Los “jefes” que encabezan la protesta estudiantil y que cursan el último año de secundaria:
El protagonista, que es a la vez el narrador de la historia, un muchacho con cualidades de líder.
Lu, alumno, presumiblemente de ascendencia oriental. Es descrito como de frente y boca estrechas, ojos rasgados, la piel hundida en las mejillas y la mandíbula prominente. Obtiene el liderazgo de la banda de los coyotes, tras vencer en una pelea al protagonista.
Javier, el amigo más cercano del protagonista, es un alumno muy osado, siempre dispuesto a colaborar.
Raygada, alumno, vozarrón. Al final quiere llorar al ver fracasada la huelga.
León, alumno.
Amaya, alumno.
Ferrufino, el director del colegio, bajo y rechoncho.
Los inspectores Gallardo y Romero, encargados de la disciplina del colegio.
Estructura

El cuento se divide en cinco capítulos o secciones, rotulados con dígitos romanos.

El relato empieza in media res, es decir ya en pleno clímax de la acción, que viene ser la protesta de los alumnos en el patio del colegio, reclamando la reposición de los horarios de los exámenes.

Transcender...

Son cuatro los episodios fundamentales:

La organización de la huelga.
La confrontación de los líderes estudiantiles con el director del colegio, quien se niega a reponer los horarios.
La pugna de poder entre los principales líderes estudiantiles: el protagonista-narrador y Lu.
El fracaso de la huelga debido a la negativa de un grupo de estudiantes a sumarse a ella.
Resumen por secciones

I .- Aparecen los alumnos de secundaria del colegio protestando en el patio contra la decisión del director Ferrufino de no publicar los horarios de exámenes. El director sale y les increpa por lo que considera una vergüenza; señala además que está consciente de que el alboroto es promovido por un solo alumno (no se sabe si se refiere al narrador-protagonista o a Lu). Raygada sale al frente y pide cortésmente la reposición de los horarios; pero el director no da su brazo a torcer.
II.- En esta sección se explica la razón de la animadversión del protagonista con Lu: había sido desplazado por éste de su liderazgo de su banda (llamada “los coyotes”) tras un duelo a puño limpio. Pero ahora, ante una causa común, el protagonista acepta que Lu sea uno de los líderes de la protesta estudiantil, conjuntamente con él y su amigo Javier. Sin embargo, se da a entender que lo que en el fondo deseaba el protagonista era vengarse buscando la ocasión propicia para dejar mal parado a Lu. Sea como fuese, lo cierto es que convocan a los alumnos a replegarse al malecón. Allí los arengan Javier y el protagonista; luego proponen formar una comisión que debía entrevistarse con el director, mientras que el resto del alumnado debía esperar en la plaza Merino.
III.- El protagonista, Javier, Lu y Raygada integran la comisión que se entrevista con el director. Éste les vuelve a increpar su conducta, a la que califica de rebelión e insurrección. Los ánimos se caldean y Lu se atreve a responderle al director, quien ya enojado, expulsa de su oficina a todos. Los “jefes” retornan a la plaza Merino, donde estaba la concentración de alumnos. Continúan callados su camino por la avenida Sánchez Cerro, silenciosos; el resto de alumnos les siguen.
IV.- Incómodo ante tanto mutismo, Lu no se contiene y se dirige a los alumnos. Les cuenta cómo el director les humilló y se negó a reponer los horarios; lo acusa de abusivo e incluso de haber pegado anteriormente a un alumno, apellidado Arévalo. De pronto se escucha la voz del protagonista, quien califica de mentira la acusación de Lu, pero éste continua su discurso, azuzando a los alumnos a tomar una acción más drástica: una huelga. Nadie debía entrar al colegio hasta que se repusieran los horarios. El protagonista y Javier acuerdan apoyarlo.
V.- Decidida la huelga, los de cuarto y quinto de secundaria rodean el colegio; Lu y los “coyotes” custodian la puerta trasera. La consigna es no dejar entrar a ningún alumno. Sin embargo, una gran dificultad sería impedir el ingreso del alumnado de primaria. En efecto, ya pasado el mediodía, iniciado el segundo turno (antiguamente se estudiaba mañana y tarde) llegan en tropel los de primaria. Los “jefes” tratan de convencerlos para que se replieguen al río y se dediquen a jugar; muchos aceptan pero otros protestan, temerosos de ser expulsados. De todos modos se impone la voluntad de los mayores y los de primaria se repliegan. Los “jefes” se ven alentados por este triunfo inicial. Enseguida llegan los alumnos de media (primer a tercer año de secundaria), quienes dicen venir a apoyar la huelga, aunque van uniformados y con sus útiles, lo cual causa suspicacia. De todos modos, se reúnen todos y deciden marchar hacia el río; los de 5º van al frente, seguidos por los de media, aunque a paso cansino. Sin embargo, cuando se hallan ya cerca de la plaza Merino, alguien les avisa que en la puerta del colegio se estaba produciendo un lío. La muchedumbre se disgrega y se dirigen a ver lo que sucede. Ven a Lu, junto con los coyotes, armados de garrotes y tratando infructuosamente de contener a un tropel de alumnos de media que intentaban ingresar al colegio. Finalmente la puerta se abre e ingresan a la carrera los alumnos; la huelga culmina así, en fracaso. Lu culpa al resto de los “jefes” por dejarlo solo en la puerta, con un puñado de coyotes; intenta agredir al protagonista y lo reta a otro duelo. Pero los demás los calman, y Lu y el protagonista terminan dándose la mano.

Vocabulario:

Algarrobo, árbol existente en el Perú desde tiempos remotos. De raíces largas y ramificadas, de tallo leñoso y de hojas perennes y compuestas. Forma bosques a lo largo de los ríos costeños de Tumbes a Lambayeque, y de Ica a Nazca.
Churre, chiquillo o niño; se usa en la zona norte del Perú, particularmente en Piura.
Gallinazo, ave carroñera del orden Falconiformes de la familia de los Cathártidos, típica de la costa peruana.
Jalar, desaprobar a un estudiante en los exámenes.
Tablada, extensión de terreno, plano y de pequeñas dimensiones.

Quem Lidera?


Importancia:

Este relato es la primera creación literaria de Vargas Llosa que fue publicada. Según palabras del mismo autor:

Ese cuento prefigura mucho de lo que hice después como novelista: usar una experiencia personal como punto de partida para la fantasía; emplear una forma que finge el realismo mediante precisiones geográficas y urbanas; una objetividad lograda a través de diálogos y descripciones hechas desde un punto de vista impersonal, borrando las huellas de autor y, por último, una actitud crítica de cierta problemática que es el contexto u horizonte de la anécdota.6

Así fue la génesis de una formidable creación literaria que más de 50 años después sería galardonada con el Premio Nobel de Literatura.

Notas:

↑ Vargas Llosa 1993, p. 291. El escritor dice textualmente, refiriéndose a este cuento: «Fue mi primer relato publicado y el que daría título a mi primer libro.» Pero si nos atenemos a un sentido estrictamente cronológico, sería en realidad su cuento El abuelo el primero en aparecer en una publicación periódica (en el diario El Comercio de Lima, el 9 de diciembre de 1956). Sin embargo, la obra inaugural vargasllosiana radicaría de todos modos en el cuento Los Jefes, por haber sido concebido antes que El abuelo.
↑ Vargas Llosa 1993, p. 201 a 203.
↑ Vargas Llosa 1993, p. 290-291.
↑ Este resumen, así como las secciones referentes al argumento, personajes, estructura y escenarios se basan exclusivamente en la lectura del cuento. Ver bibliografía.
↑ Tauro del Pino, Alberto: Enciclopedia Ilustrada del Perú. Tercera Edición. ISBN 9972-40-149-9 de la colección.
↑ Vargas Llosa 1993, p. 291.
Bibliografía

Cornejo Polar, Antonio: Historia de la literatura del Perú republicano. Incluida en “Historia del Perú, Tomo VIII. Perú Republicano”. Lima, Editorial Mejía Baca, 1980.
Sánchez, Luis Alberto: La literatura peruana. Derrotero para una historia cultural del Perú, tomo V. Cuarta edición y definitiva. Lima, P. L. Villanueva Editor, 1975.
Vargas Llosa, Mario:
- Los jefes. Populibros Peruanos, Lima, 1963. Impreso por Gráfica Panamericana S.A. /
- Los jefes – Los cachorros. Editorial Seix Barral, S. A., 1980. Con prólogo del mismo autor.
- El pez en el agua. Memorias. Editorial Seix Barral, S. A., 1993. ISBN 84-322-0679-2

domingo, 4 de novembro de 2012

EM NOME DO PAI - O DESAFIO


James Dean e a vida por um fio...

Mário Vargas Llosa escreveu "O Desafio" (titulado inicialmente como "Arreglo de cuentas") em 1957. Tinha 20 anos e seu maior sonho era ir até Paris conhecer seu escritor predileto Jean Paul Sartre. Houve um concurso de contos de uma revista francesa cujo prêmio seria uma viagem de quinze dias a Paris. Llosa saiu vencedor. Não conheceu Sartre, mas esteve com Albert Camus.

Novamente meninos,  masculinidade, ritos de passagens que podem podar a vida de forma prematura.
Qual bandeira que esta tribo tinha nas mãos? 

Honrar a palavra através do gesto masculino, delimitar espaço, o poder através da luta, da luz da navalha que resplandece na noite sem lua, sem luz. Olhares submersos na neblina, no escuro, na hora em que o dia se confunde com a noite, a um passo da madrugada.

O rapazola que deixa mulher e filho na espera para resolver um problema de macho ( reparem que a mulher o alerta da proximidade do dia através do trabalho). 

A morte foi anunciada, o gole de cerveja partilhado na mesa do bar, a estrutura familiar sendo posta de lado em nome do pacto, do desafio. 

O Manco que no calor da luta clama o pai para intervir, mas este se mantém duro, apesar de pressentir a morte do filho, não intervem, manda o manco calar e lutar. 

A dança do acasalamento se faz na luta. 
O narrador evoca dois amantes em meio à escuridão. 
O gozo se dá através de um grunhido gutural: o arroto ( existe pio mais másculo do que isto?).
A testosterona a flor da pele, a vida que segue implacável, a coragem de se expor à morte sem ter muita noção da sua presença, pois o que vale é o desafio.

No final, o herói que sai com a bandeira do filho morto no colo é o Pai - que assistiu a vida do filho se esvair sem se pronunciar como tal.
Pelo que se nota através da narrativa, Justo foi criado pelo pai para pelear.

De novo vemos a juventude mutilada,  numa época em que meninos são talhados para matar ou morrer em nome do Pai (inclua-se nesta palavra o social, o político e a estrutura familiar).

Aliás, de uma outra forma, temos Pete Postlethwaite e Daniel Day-Lewis numa dança de amor entre pai e filho no excelente filme " Em Nome do Pai" do irlandês Jim Sheridan. Só que neste filme (baseado em uma história real), o filho rebelde se perde do seu papel e o pai vai resgatá-lo com amor e coragem num ambiente que expõe a violência extrema da justiça inglesa contra inocentes em busca de saciar a ira da população.

Daniel Day-Lewis Em Nome do Pai

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

SOB O SIGNO DE JOANA


Noite de Llosa com "Os Filhotes" - Foto: Xavier Miserachs


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Caras confrades,


Sob um vento acalorado que insistia em participar de mais uma sessão gastronômica-literária, Cláudia, Carla, Thais e eu nos debruçamos sobre Os filhotes, o conto do peruano Llosa.

A partir da percepção e da constatação de tantas ausências numa noite de bruxas, imaginemos que Sandy e Halloween foram motivos que desviaram tantas tixas das paredes de Moema.
E sem a nossa querida relatora-mor, Silvia, instalou-se então uma substituição de improviso. E aí vou eu para o relato.

A abertura dos trabalhos veio com um ceviche de salmão, salada, sopinha fria e os beliscos costumeiros com os goles de um branco trincando. A assinatura da anfitriã e a assessoria afiada de Boaz nos acompanharam uma vez mais.


O universo do conto

Filhotes é uma tradução de Cachorros. Em espanhol cachorro significa filhote de qualquer bicho.

O conto, longo, traz o tema tabu em ritmo de um rap narrativo. Já que o autor mistura primeira e terceira pessoas, deixando um terceiro narrador à espreita. Isso deu ritmo à discussão. Engatamos nessa oralidade de Llosa ao misturar fala e escrita numa história de aparência simplificada e quase rotineira em se tratando do nascimento, vida e morte de uma turma de meninos, de classe média latino-americana que gostavam de futebol meninas, música, aventuras fortuitas, carros e diversão, sem nenhuma implicação com os destinos políticos da cidade (lima, do país, Peru  ou do continente, América Latina).

Tal ritmo da narrativa se confirma uma vez mais. Ou seja, o autor seduz o leitor e nos faz dançar em seu ritmo.

Tema tabu, a castração do filhote Cuéllar, o Piroquinha (apelido pra lá de sintomático), é o centro do conto. Acontece a tragédia nem a escola, regida pelos padres, nem a família, tão pouco a turrrrma vai fundo no assunto. Nem mesmo a vítima, o garoto que segue a vida sem o falo. Pois ele foi castrado por uma fera, curiosamente (?!) batizado de Judas. Nada em vão, já que a crítica à educação católica é clara.
Uma vez mutilado ele tenta seguir a vida, porém, nos pareceu uma morte anunciada, uma vez que, com algo diferente dos amigos da turma, ele passa a ser “tolerado”, em função do problema. Deixa de se dedicar tanto aos estudos, vai se excluindo de algumas festinhas e reuniões sociais, se esquiva das meninas e vê um desafio maior ao enfrentar o garoto interessado na Tê, a mocinha cheia de frufrus que chega na escola e na cidade, por quem ele se interessa.
É nas ondas (semelhança com o cenário de Domingo) que Cuéllar prova sua virilidade. Pegar uma onda de metros frente a uma galera, foi o que pôde fazer, já que não podia chegar na menina, como os outros.
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Sua trajetória de menino, adolescente e moço feito vai acompanhada por seus pais que lhe asseguram os bens (dinheiro) e uma vida de classe média burguesa bem boa: colégio particular, carros do ano, saídas para as baladas. Uma forma de compensar sua perda maior (o falo, o poder, a virilidade). Ele, por sua vez, tenta. Muda de comportamento, vai de bad boy a mocinho direito e educado, elogiando as mães e tias das festinhas da turma. Mas não se encaixa na vida. Vai cambaleando nos estudos e na sociedade. Faz que trabalha, mas sai para beber e ficar com a moçada barra pesada das perifas.

Assexuado. Homossexual. Dúvidas que não se aclaram no conto. Cada leitora pode repensar sobre o ponto. Afinal sem o bilau, como é que poderia pôr sua sexualidade em dia?

Metáfora pura da castração da vida, como assinala Cláudia.
Castrada está a vida do moço. Tanto que chega à morte.
Mas também há outra castração no conto, a da geração de Piroquinha , que na impossibilidade de transgredir fez/seguiu igualzinho aos nossos pais, como diz a Elis e como destacou a Cláudia.

Questões implicantes de Llosa:

Crítica ao sistema educacional católico.
Crítica ao poder do ter. O pai do Cuéllar pode, então manda “sumir” com o dinamarquês Judas assassino, então presenteia o filho com um carro do ano, então tenta uma solução de uma possível cirurgia para o filho no exterior (primeiro nos EUA, depois na Europa).

Poderoso mas ausente esse pai de Cuéllar. Nem no hospital, quando do acidente, nem em casa nem nas saídas ele acompanha o filho. No máximo está a mãe.

Ou seja, diante de uma temática machista o pai não se envolve, apenas é o provedor.

O “não se fala mais nisso e todos consentem” leva o Cuéllar a momentos de crise, como o ataque de choro, nos braços não de uma mulher mas do volante de sua máquina. Ele tem no carro, o mesmo furor que o namorado de Nina Daconte (Rastro do teu sangue na neve), ou seja, já que não tem mulher (por imposição de um acidente de percurso).

Esta agonia que o conto provoca de que ninguém faz nada mais além de um consentimento  velado e às vezes explícito (quando a turma quer ajudar e se esforça para que Cuéllar “arranje” uma namoradinha vai acabando com a gente e nos fazendo refletir mais e mais. Do micro para o macro. Do problema dele para vida e a sociedade.

Narrativa inovadora para a época, pois a leitura  nos leva bem pertinho destes narradores em ritmo de rap, o conto também nos mostra um cenário de época: o futebol e seus ídolos, o jornal A Crônica, os filmes, os hit musicais (o clássico Quizás incluindo entre os intérpretes o Nat King Cole (aí Adri), o rei do Mambo, Perez Prado (http://www.youtube.com/watch?v=2k6l2RQqqnU&feature=related 
e sua orquestra que ganhou o mundo, as festinhas, a Cuba Libre (drinque referência à revolução cubana, uma vez que mistura coca cola e rum (dois poderes antagônicos).

Aqui um diálogo com dois dos maiores intérpretes cubanos, Omara e Ibrahim, apenas um exemplo de tantas outras interpretações deste clássico.

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Castração – reprodução

Tema tabu, católico que o autor resolve com a substituição de Judas, o cão, por dois coelhinhos fofos. (animal que representa a fertilidade; a reprodução). Detalhe são brancos. Assim como é branco o vestido da mãe de Cuéllar, assim como é branco o chão do banheiro que minutos depois ao ataque de Judas, se transforma num rio vermelho, de sangue.

O frio. Quando Cuéllar sente medo, ele tem frio. Quando ele se embebeda, sente frio.
Quando ele sai do eixo, ele sente frio. Comportamento de um personagem de carne e osso, não acham?

Castrado este ser, igualmente com sua geração, não discute, nem trata, nem comenta nada em relação às questões políticas

Intervenção carliniana

Como foi combinado, Carla, entremeou nossa discussão com trechos de Freud sobre as questões narcisistas na categoria poltrona. Por que o olhar narcísico conversa com o personagem protagonista? Carla Bellintani pode esclarecer melhor ao vivo. Munida de seus apontamentos ela  e Thais, em plena sintonia, nos trouxeram vários pontos para futuras pensatas.

Intervenção claudiniana


Cláudia nos brindou com uma passagem de olhos comentada sobre a trajetória intelectual e pessoal de Llosa, que também está aqui no blog, em seguida, nos mostrou este vídeo:


Delicadeza dos traços versus dureza de tema. A castração de novo à tona. Diante de um cenário e contexto judaicos que o filme nos apresenta, uma beleza plástica nos cutuca para mais uma discussão sobre o castrar. Vale?

Terminamos com a sobremesa, sorvete de doce de leite, a cargo da Carla.
E fechamos para a próxima quarta a leitura de O Desafio do mesmo livro.
Por isso, confrades, seguindo a linha alfabética depois da Adri deveria ser Aline e depois a Ângela, na impossibilidade das duas veio a Carla. Então para o dia 7, quem irá para a poltrona e responderá pela sobremesa será uma das anteriores ou a Cláudia?

O arremate da noite veio com as palavras doces de Nequinha que nos enviou língua de gato e que tais para adoçar os pensamentos e as palavras. Conhecedora do mundo das letras, a língua de gato em noite que o tema era castração não poderia ter sido melhor.
 

O bilhetinho carinhoso teve leitura de Carla, a enfant engajada nas questões da psiquê no nosso dia a dia.

Vamos seguir, seguir, seguir.

Bj
Joana