| "Mário Quintana" O Amor Gaúcho da d. |
confrades, dando continuidade ao tema idealização x realidade que a gente vem discutindo, seguem dois poemas do mario quintana, meu amor gaúcho. para as ausentes, eles foram lidos por mim ontem direto da poltrona da sala de leitura. beijos, d.
Quem ama inventa (do livro A cor do Invisível)
Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revoo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Oh! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!
Bola de Cristal (A cor do Invisível)
A praça, o coreto, o quiosque,
as primeiras leituras, os primeiros versos
e aquelas paixões sem fim...
Todo um mundo submerso,
com suas vozes, seus passos, seus silêncios
- ai que saudade de mim!
Deixo-te, pobre menino, aí sozinho...
Que bom que nunca me viste
Como estou te vendo agora
- e é melhor que seja assim...
Deixo-te
com os teus sonhos de outrora, os teus livros queridos
e aquelas paixões sem fim!
e a praça... o coreto... o quiosque
onde compravas revistas...
Sonha menino triste...
Sonha...
- só o teu sonho é que existe.
"Quem ama inventa as coisas a que ama..."
ResponderExcluirDe novo, o que é sonho e o que é a realidade?
Faltou um d.
Foi um embalo de amor e sonho.
Noite de entender a vida.
Bj e Obrigada.
Com carinho,
Cláudia
"Que bom que nunca me vistes
ResponderExcluircomo estou te vendo agora - e é melhor que seja assim...
Sonha menino triste...
Sonha...
- só o teu sonho é que existe"
Os olhares buscam ser unos, que grande loucura essa busca do amor...
É nosso olhar sobre o outro...
Nosso olhar a nós mesmos ...
Nosso olhar a nós mesmo quando em frente ao outro...
Nossa suposição do olhar do outro para nós...
O olhar de fato do outro sobre nós...
O olhar do outro sobre si mesmo...
O olhar do outro a si mesmo quando em frente a nós...
A suposição do outro sobre nosso olhar à ele...
Labiríntico!
Difícil de fato aceitar e apreciar essa difusão de olhares, busca-se tanto a coesão, a semelhança...
Hoje li em um texto, de Fenô, que dizia o seguinte: o verbo "conhecer", em línguas gregas e hebraicas na antiguidade, era a mesma palavra usada para "executar ato sexual", assim como na língua inglesa do século dezesseis e dezessete. Nesse sentido o texto relacionou a palavra conhecer com realizar um ato de amor, de união, de estar apto a conhecer/receber o outro.
Que doido, não? Talvez a gente conheça de fato poucas pessoas... os conflitos de olhares entre familiares, amigos, amantes, enfim, entre pessoas se relacionando, cada um com sua lente, sua digital única de olhar. Mesmo quando se dá o encontro os olhares não partem do mesmo ponto, talvez cheguem juntos apenas, mas acredito que não também...
To viajando? Me sinto meio perturbada.
(...)
Até já!
Jú.
Não está não Juju. Tb acho que a gente de fato chece muito poucas pessoas.
ResponderExcluirBjo menina linda.
MJ
Jú, de novo, "O Jogo da Amarelinha".
ExcluirO beijo, o criador e a criatura.
E os cíclopes se entreolham respirando confundidos...
Qto de Clarice nesta frase, nesta história, em todas as historiadas paixões que aprisionam...
"Respiro- te e te devoro-me..."
A esfinge avisando a cada curva, a cada passo, o aglutinar-se do outro para que possamos nos reconhecer, respirar, olhar...
Cíclopes...
Nos transformamos ou transformamos a paixão em algo letal, para que possamos nos desfazer para seguir em frente.
O que é genuinamente meu? Fragmentos, pedaços,
passado, histórias que se confundem para um único olhar, e se dois se transformam em um, alguém tem que morrer para isto.
Ele desenha o sorriso, cria a paixão que tira de dentro de si.
E o outro baila ao som da batuta de quem rege, governa, controla.
O Narciso.
O Espelho.
O Lago que nos traga para o fundo da existência do outro.
E Sufoca.
Bj,
Tia Cláudia