Cristóvão Colombo e Rainha
Isabel de Espanha Consumam
Seu Relacionamento
(Santa Fé, A.D. 1492)
Do Livro Oriente Ocidente
Salman Rushdie
Por Margaret
Colombo, um estrangeiro, segue a rainha Isabel por uma eternidade sem perder as esperanças completamente.
- Em que atitude característica?
Orgulhoso porém suplicante, a cabeça ereta mas os joelhos curvados; Lisonjeiro porém audaz; possuidor de uma determinada vulgaridade insolente, ele se sai bem graças ao charme de homem confiante. Contudo, com o passar do tempo, os insinuantes aspectos de sua posição são enfatizados; a vistosa vulgaridade de marujo desgasta-se um pouco. Assim como seus sapatos.
- Sua esperança. De quê?
Respostas óbvias primeiro. Tem esperança de uma promoção. Ele quer atar o favor da Rainha a seu elmo, como um cavaleiro num romance. (Ele não tem elmo). Tem esperança de dinheiro, e de três caravelas, Niña Pinta Santa Maria; de, em 1492, navegar o oceano azul. Mas, quando chegou à corte pela primeira vez, quando a Rainha mesma lhe perguntou o que ele desejava, Colombo curvou-se sobre a mão olivácea dela e, com os lábios distantes um respiro do grande anel do poder dela, murmurou uma única palavra.
"Consumação."
- Estes estrangeiros indescritíveis! A ousadia! "Consumação", com efeito! E depois seguindo os passos dela, mês após mês, como se ele tivesse uma chance. Suas missivas grosseiras, suas serenatas dissonantes sob as janelas dela, obrigando-a a mantê-las fechadas, excluindo a brisa refrescante. Tinha coisa melhor para fazer, ela, um mundo para conquistar, e assim por diante, quem ele pensava que era?
- Estrangeiros podem ser obstinados. E podem também, por conta das dificuldades de língua, não compreender. Depois, não nos esqueçamos, considera-se de rigueur conservar alguns estrangeiros na corte. Eles emprestam ao lugar um certo tom cosmopolita. São com frequência pobres e, consequentemente, se dispõem a desempenhar diversas tarefas necessárias mas sujas. Eles são, além do mais, um alerta contra a complacência, sua existência entre nós nos lembrando que há partes da Terra nas quais (difícil é aceitá-lo) nós mesmos também seríamos considerados estrangeiros.
- Mas falar desse jeito com a Rainha!
- Estrangeiros esquecem seu lugar (tendo-o deixado para trás). Com o tempo, começam a se ver como nossos iguais. É um risco inevitável. Eles introduzem em nossa austeridade palavras lisonjeiras italianadas. Coisa nenhuma: faça ouvidos moucos, olhe para outro lado. Eles raramente representam dano real, e vão longe demais infrequentemente. A Rainha, pode ter certeza, sabe cuidar de si mesma.
Colombo, na corte de Isabel, logo ganha a reputação de ser um homem louco. Suas roupas são excessivamente coloridas e ele bebe, também, com excesso. Quando Isabel conquista uma vitória militar, ela a celebra com onze dias de salmos e com as sonoras severidades de padres. Colombo espatifa-se no chão em frente à catedral, brandindo um odre de vinho. Ele é um deboche único.
![]() |
| "Colombo, o Louco que Sonha Além das Fronteiras... " |
- Veja-o bêbado, sua enorme e desgrenhada cabeça repleta de disparates! Um tolo de olho brilhante sonhando com um paraíso dourado além da Beira Ocidental das Coisas.
"Consumação"
A Rainha brinca com Colombo.
No almoço ela lhe promete tudo o que ele quer; depois o ignora mais tarde no mesmo dia, olhando através dele como se fosse um véu.
No dia santificado dele, ela o chama até o vestiário privado, dispensa as moças, permite que ele lhe prenda o cabelo e, por um momento, acaricie-lhe os seios. Em seguida chama os guardas. Ela o manda para os estábulos chiqueiros por quarenta dias. Ele sonha com os perfumes da Rainha, mas desperta nauseado num chiqueiro.
Brincar com Colombo dá prazer à Rainha.
E dar prazer à Rainha, ele lembra a si mesmo, pode ajudá-lo a alcançar seu propósito. Porcos se espoliam a seus pés. Ele range os dentes.
"Dar prazer para a Rainha é bom."
Colombo pondera:
Ela o atormenta apenas para passar o tempo?
Ou: porque ele é estrangeiro, e ela não está acostumada com seus modos e intenções.
Ou: porque seu dedo do anel, ainda quente com a lembrança de seus lábios, sua respiração, foi - como dizer? - tocado. Sim. tentáculos de tepidez recuam dos dedos dela na direção do coração. Uma turbulência foi provocada.
Ou: porque ela está dividida entre a possibilidade de abraçar a maquinação dele com um abandono de amante e a opção mais convencional, e diferentemente (maliciosamente) agradável, de destruí-lo ao rir, finalmente, depois de tanto preâmbulo, em sua cara boba e suplicante.
Colombo consola-se com possibilidades. Contudo, nem todas as possibilidades são consoladoras.
Ela é uma monarca absoluta. (O marido é um zero absoluto: um espaço vazio, não poderia ser mais frio. Não voltaremos a falar dele.) Ela é uma mulher cujo anel é beijado com frequência. Não significa nada para ela. Bajulações não lhe são estranhas. Ela resiste a elas sem esforço.
Ela é uma tirana, que conta entre suas posses quatrocentos e dezenove bobos, alguns deles grotescamente defeituosos, outros tão belos como a alvorada. Ele, Colombo, é apenas seu quadringentésimo vigésimo idiota. Este também é um roteiro plausível.
Ou: ela compreende o sonho dele de um mundo além do fim do mundo, e está comovida com ele, tão profundamente que o sonho a assombra, e ela primeiro se aproxima, e depois e afasta dele.
Ou: ela não compreende de modo algum, nem quer compreender.
"Faça sua escolha."
O certo é que ele não a compreende. Apenas os fatos são claros. Ela é Isabel, a Rainha conquistadora. Ele é seu homem (embora rouquenho, multicolorido, beberrão) invisível.
"Consumação."
Os apetites sexuais do macho diminuem; os da fêmea continuam, com o avançar dos anos, a aumentar, Isabel é a última esperança de Colombo. Começam a lhe faltar possíveis protetores, negociações de venda, coquetismo, cabelo, energia.
O tempo se arrasta.
Isabel galopa, vencendo batalhas, expulsando mouros de suas fortalezas, seus apetites se expandindo semana após semana. Quanto mais terras ela engole, mais guerreiros ela engolfa, mais faminta ela fica. Colombo, ciente de uma lenta paralisia no interior de si mesmo, repreende-se. Devia ver as coisas como elas são. Devia cair em si. Que chance tem ele aqui? Há dias que ela o faz limpar latrinas. Há outros em que ele tem de lavar corpos, e depois de uma batalha os corpos estão limpos. Soldados que vão para a guerra usam fraldas sob as armaduras porque o medo da morte solta os intestinos, solta todas as vezes. Colombo não foi feito para este tipo de trabalho. Ele diz a si mesmo para abandonar Isabel, de uma vez por todas.
Mas há problemas: sua idade avançada, a escassez de protetores. Assim que levantar acampamento, terá que esquecer a viagem para o Ocidente.
O conjunto de opiniões filosóficas que sustentam que a vida é absurda nunca o atraiu. Ele é um homem de ação, que se revela em feitos. Mas sem a viagem para o Ocidente será obrigado a aceitar a falta de sentido da vida.
Também isto seria uma derrota. Invisível com suas quentes cores tropicais, não correspondido, ele fica, seguindo como cão as pegadas dela, esperando pelo êxtase de um olhar dela.
- A busca do dinheiro e do patronato - diz Colombo - não é diferente da procura do amor.
- Ela é onipotente. Castelos caem a seus pés. Os judeus foram expulsos. Os mouros se preparam para a última rendição. A Rainha está em Granada, cavalgando à frente de seu exército.
- Ela domina. Nada que ela tenha querido foi jamais recusado.
- Todos os seus sonhos são profecias.
- Agindo segundo informações recebidas durante o sono, ela traça os invencíveis planos de batalha, frusta as conspirações de assassinos, toma conhecimento de deslealdades e corrupções pelas quais faz chantagem tanto com os legalistas (para garantir apoio) quanto com os oponentes (para garantir apoio). Os sonhos ajudam a prever o tempo, negociar tratados e investir astutamente no comércio.
| "Isabel... Que Poder!" |
- Ela come como um cavalo e jamais engorda uma onça sequer.
- A terra adora seus passos. As sombras desaparecem diante do esplendor de seus olhos.
- A face dela é uma luxuriante península situada num oceano de cabelo.
- Os baús de tesouro dela são inexauríveis.
- As orelhas dela são delicados pontos de interrogação, que sugerem algo de incerteza.
- As pernas dela.
- As pernas dela não são magníficas.
- Ela vive descontente.
- Nenhuma conquista a satisfaz, nenhum auge de êxtase é bastante elevado.
- Veja: lá, os portões de Alhambra, está Boabdil, o Desventurado, o último sultão do último reduto de todos os séculos da Espanha Árabe. Olhe: agora, neste mesmo instante, ele entrega-lhe as chaves da cidadela nas mãos... pronto! E enquanto o peso das chaves passa das mãos dele para as dela, ela... ela... boceja.
Colombo abandona esperança.
Enquanto Isabel está entrando em Alhambra com indiferente triunfo, ele está selando a mula. Enquanto ela vaga ociosa na corte dos Leões, ele parte numa afobação de chicotes cotovelos, cascos, tudo rapidamente obscurecido por uma nuvem de poeira.
A invisibilidade clama por ele. Ele cede à vontade dela. Sabendo que está abandonando seu destino, ele o abandona. Cavalga para longe da Rainha com ira desesperada, cavalga dia e noite, e quando a mula morre sob seu peso ele põe nos ombros as ridículas sacolas de cigano feitas de retalhos, as cores berrantes caladas agora pela sujeira; e caminha.
Em torno dele se estende a fértil planície que os exércitos dela subjugaram. Colombo nada vê, nem a fertilidade da terra nem a repentina esterilidade dos castelos conquistados que olham de seus pináculos para baixo. Os fantasmas de civilizações derrotadas fluem despercebidos pelos rios cujos nomes - Guadalisto e Guadalaquilo - retêm um eco do passado exterminado.
No alto, s rodeios-arabescos dos pacientes bútios.
Judeus passam por Colombo em longas colunas, mas a tragédia de sua expulsão não o impressiona de modo algum. Alguém tenta vender-lhe uma espada de Toledo; ele dispensa o homem com um gesto. Tendo perdido o próprio sonho das caravelas, Colombo deixa os judeus às caravelas de seu exílio, esperando na enseada de Cádiz.
A exaustão despe-o dos sentidos. Este mundo é velho demais e o novo mundo é uma terra não descoberta.
- A perda de dinheiro e de patronato - Colombo diz - é tão amarga quanto o amor não correspondido.
Ele caminha além da fadiga, além dos limites da resistência e das fronteiras do eu, e em algum ponto ao longo deste trajeto perde o equilíbrio, cai da beira da sanidade, e aqui, além da margem da mente, vê, pela primeira e única vez na vida, uma visão.
É um sonho de um sonho.
Ele sonha com Isabel, languidamente explorando Alhambra, a magnífica jóia que ela pegou de Boabdil, o último dos Nasrid.
Ela olha fixo uma grande tigela de pedra suspensa no alto por leões de pedra. A tigela está cheia de sangue, e nele ela vê - ou seja, Colombo sonha que ela vê - uma visão de si mesma.
A tigela mostra que tudo, todo o mundo conhecido, agora pertence a ela. Todos no mundo estão em suas mãos, para fazer o que ela quiser. E assim que ela compreende isso - Colombo sonha - o sangue coagula imediatamente, tornando-se uma borra espessa e verminosa. Ao que a Isabel da exausta, mas também vingativa, imaginação de Colombo estremece até a medula ao perceber que jamais, jamais, JAMAIS! ficará satisfeita com a posse do Conhecido. Somente o Desconhecido, talvez mesmo o Incognoscível, pode satisfazê-la.
Imediatamente ela se lembra de Colombo (ele a imagina lembrando-se dele). Colombo, o homem invisível que sonha entrar no mundo invisível, o desconhecido e talvez incognoscível mundo além da Beira das Coisas, além da tigela de pedra do cotidiano, além do espesso sangue do oceano. Colombo, neste amargo sonho, faz Isabel ver a verdade finalmente, fá-la aceitar que sua necessidade dele é tão grande quanto a que ele tem dela. Sim! Agora ela sabe! Ela tem tem tem que lhe dar dinheiro, as caravelas, qualquer coisa, e ele tem tem tem que levar a bandeira e o favor dela para além do fim do fim da terra, até a exaltação e a imortalidade, unindo-a a ele para sempre com laços bem mais difíceis de desfazer que qualquer amor mortal, os severos e divinos laços da história.
"Consumação."
No selvagem sonho de Colombo, Isabel arranca os cabelos, sai correndo da corte dos Leões, grita por seus arautos.
- Encontrem-no - ordena.
Mas Colombo, em seu sonho, recusa-se a ser encontrado. Ele se envolve com o poeirento manto de retalhos coloridos de sua invisibilidade, e os arautos galopam para cá e para lá em vão.
Isabel guincha, implora, suplica.
Cadela! Cadela! Está gostando agora, Colombo zomba. Com o ausentar-se da corte dela, com esta derradeira e suicida invisibilidade, negou-lhe o desejo do coração.
Ela merece.
Cadela!
Ela aniquilou-lhe as esperanças, não aniquilou? Pois então. Ao fazê-lo, ela também se sacrificou. Justiça poética. Justiça é justiça.
No final do sonho ele permite que os mensageiros o encontrem. Seus ploque-ploques de cascos, seus frenéticos braços acenando. Eles rogam, adulam, oferecem suborno. Mas é tarde demais. Somente a doce e autodilacerante alegria de assassinar a Possibilidade permanece.
Ele responde aos arautos: um balançar de cabeça.
- Não.
Ele cai em si.
Está ajoelhado na fertilidade das planícies, aguardando a morte. Ouve os ploque-ploques de cascos se aproximando e levanta os olhos, meio que esperando ver o Anjo Exterminador, cavalgando na direção dele como um conquistador. Suas asas negras, o enfado na face.
Os arautos de Isabel o cercam. Oferecem-lhe comida, bebida, um cavalo. Estão berrando.
- Boas novas! A Rainha mandou chamá-lo.
- Sua viagem: novas maravilhosas.
- Ela viu uma visão, que a assustou.
- Todos os sonhos dela são profecias.
Os arautos desmontam dos cavalos. Oferecem suborno, adulam, rogam.
- Ela abandonou a corte dos Leões gritando seu nome.
- Ela o enviará para além da tigela de pedra do mundo conhecido, para além do espesso sangue do oceano.
- Ela está esperando por você em Santa Fé.
- Você tem de vir imediatamente.
Ele se levanta, como um amante correspondido, como um noivo no dia do casamento. Abre a boca e o que quase se derrama é uma amarga recusa: não.
- Sim - diz para os arautos. Sim. Eu vou.


Gostaria de propor a leitura de um conto que gosto muito.
ResponderExcluirMeninas, assim como vcs amam psicologia (eu tbm), eu amo história (e vcs tbm, imagino).
Vou sugerir mais conto do Salman Rushdie, posso?
Ele é um especialista nestes dois assuntos, a alma humana e a história.
O conto faz parte do livro "Oriente Ocidente":
"Cristóvão Colombo e Rainha Isabel de Espanha consumam seu relacionamento"
É pura imaginação, em cima de fatos históricos.
Assistir o filme 1492 pode ser uma verdadeira viagem dps de ler o conto.
Lá, Colombo é interpretado por Gerard Depardieu e Isabel por Sigourney Weaver.
Bjs! margaret
Margaret a foto foi vc quem tirou?
ResponderExcluirFicou ótima.
Se foi, me avisa que insiro o seu nome.
Bjs,
Cláudia
Claudia, que postagem maravilhosa!
ExcluirFicou demais!
A foto fui eu que tirei, sem ter lido o conto. Fiquei tão fascinada pelo espaço que voltei, esperei as excursões passarem e cliquei. Anos depois li o conto e me lembrei do lugar. Sincronia...
Margaret, que coisa mais forte!
ExcluirVc se deparar com o conto depois de ter estado no local premonitório.
Veja se o que escrevi na foto, corresponde à imagem.
Ele (Salman) deve ter estudado a antiga arte, pois as sacerdotisas se valiam de um poço para prever o futuro, quando havia o desejo de "controle", era utilizado sangue humano.
O que mais me fascinou foi a paixão - seja pela mulher, pelo sonho ou pela entrega do homem atormentado.
Impressionante como ele capta a alma feminina.
Obrigada,
Bj,
Cláudia
"Consumação": é o primeiro (ou primeiro oficialmente creditado) ato de relação sexual entre um homem e uma mulher - Wikipédia Livre
ResponderExcluirO "Selo" quebrado.
O "Lacre" violado.
A alma liberta do desejo, o gozo, o ápice.
Colou em mim o elo de ligação do conto.
Bj,
Cláudia
Demais! Intenso!
ResponderExcluirAdorei Margy...
Silvia
Que demais! Vou atrás desse livro pra mim!
ResponderExcluirEle escreve de uma maneira simples que envolve. Gostei muito!
A consumação estava relacionada a liberdade para mim.
E ele foi... Conquistou terras desconhecidas para além do Oriente.
Até que a história do Brasil pode ser interessante escrita por ele... Sempre tive um pouco de preconceito com a nossa historia comparada com a historia oriental (Egito, Mesopotâmia e etc), a antigüidade clássica (os incríveis gregos e romanos) e já mais recente a revolução francesa.
Subi o monte pascoal só por curiosidade... Foi dificílimo a subida, ainda mais porque chovia e minha parceira tem um joelho um pouco defeituoso... Mas quando chegamos lá em cima com a compania de um índio da região, algo diferente me chamou a atenção... Algo que eu talvez precisasse redescobrir... Acreditei que fosse a história do nosso Brasil.
"Oficialmente, a primeira vez que o olhar de um europeu pousou sobre as imponentes florestas que dominavam o nosso litoral foi em abril de 1500, quando um marujo português, do alto do mastro de observação de uma caravela, anunciou em alto e bom som: Terra a Vista. Acabara de identificar ao longe um monte de cume arredondado, ao qual batizaram de monte Pascoal. Teve início assim, a série interminável de nomeações de inspiração católica que foram forjando a nova identidade do território que se descortinava ao olhar ambicioso e agressivo dos conquistadores europeus""
"Pedro Missioneiro" do Érico Veríssimo retrata com uma beleza indiscutível a nossa História.
ExcluirA miscigenação, a troca, a "consumação" através da dor e da beleza de estar na Vida.
Vc pode não se lembrar, mas este Índio que previa a vida, foi sua primeira paixão.
Bj