segunda-feira, 18 de julho de 2016

ALICE MUNRO E ALMODÓVAR NA BLOOKS LIVRARIA



Tivemos uma noite de troca de lentes na Blooks.
Com o olhar atento do Paulo.
E o carinho do Restaurante Farabbud.


Cada um de nós se identificou com um dos personagem de Julieta do Almodóvar.


Houve uma comparação entre os contos Acaso, Logo e Silêncio de Alice Munro e o filme Julieta de Almodóvar (nem todos os presentes leram os contos, mas todos estavam atentos aos relatos dos que apontavam as diferenças entre o livro e o filme).


Cores, fotografia, arte e o drama da trama nos envolveu num caleidoscópio de emoções. 


Momento mágico em que alguém disse que se pudesse escolher um personagem de Almodóvar, seria o que se coloca embaixo do trem em movimento.


Outro instante tocante foi qdo um dos presentes aludiu sobre a presença marcante  do homem sensível (que acompanha a protagonista até o fim da história), dizendo que o personagem não existe na vida real. Em uníssono, todos discordaram.


Mães judias, italianas e árabes foram unanimes em dizer que buscariam a filha perdida a qqr preço.


O fervor do latino, comparado à frieza dos canadenses nos fez entender um pouco mais sobre as diferenças entre Munro e Almodóvar.


A cena da entrega no trem onde o reflexo dos amantes na janela formaram uma teia que envolveu e emocionou a todos os presentes.


Filósofos, artistas, psicanalistas, doutores da alma, do corpo, da vida estiveram presentes na noite encantada.


Nossos agradecimentos à acolhida da Blooks que tornou nossa noite memorável, ao Restaurante Farabbud que alimentou nosso corpo e à Confraria das Lagartixas que aquece nossa alma com esta linda troca de olhares.


Cinema, Literatura e um ninho cheio de letras para a nossa Confraria das Lagartixas.

Obrigada Blooks por transformar nossa noite em algo mágico.


Fotografia: Fábio Risnik

sábado, 9 de julho de 2016

CINEMA & LITERATURA

Confraria das Lagartixas discute Almodóvar e Alice Munro na Blooks Livraria 

Almodóvar ama as mulheres.
Alice Munro "disseca" a alma feminina.
Misture os dois num caldeirão e veja o resultado da magia.

Acaso, Logo e Silêncio fazem parte do livro A Fugitiva da ganhadora do prêmio Nobel de onde o cineasta foi beber da fonte.

Quem?
Fotógrafos, psicanalistas, jornalistas e outros artistas vão estar presentes.

Quando?
Dia 13/07/2016 das 18:30 às 21:30 hs.

Onde?
Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569
São Paulo

Patrocínio

Al. dos Anapurus, 1253 - Moema

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

“primeiro vagalume - assim começa o fim do ano” Alice Ruiz


Para as Mulheres da minha Vida,
Feliz Ano Novo.
Amor,


"Há sonhos que devem permanecer nas gavetas, nos cofres, trancados até o nosso fim. E por isso passíveis de serem sonhados a vida inteira.”
Hilda Hilst
Para Adri Felden


"Gosto da noite imensa, triste, preta. Como essa estranha borboleta que sinto sempre a voltejar em mim.”
Florbela Espanca
Para Maria José Palmada


“Aprendi com a Primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira”
Cecília Meireles
Para Nequinha


"Não quero faca, nem queijo. Quero a fome.”
Adelia Prado
Para Maria José Rocco


“Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.”
Cora Coralina
Para Sílvia


“Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.”
Clarice Lispector
Para Angela


“Hoje estou doente de tanta estupidez porque espero que alguma coisa… divina aconteça. F for fake”.
Ana Cristina Cesar
Para Joana


“A beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da noite, está no crepúsculo, nesse meio tom, nessa incerteza.”
Lygia Fagundes Telles
Para Patricia


“É muito mais difícil matar um fantasma do que matar uma realidade.”
Virginia Woolf
Para Thais


“Não se nasce mulher: torna-se.”
Simone de Beauvoir
Para Vera


“O nosso verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar de inteligência sobre nós próprios.”
Marguerite Yourcenar
Para Denise


"A gente nasce e morre só. E talvez por isso mesmo é que se precisa tanto de viver acompanhado.”
Rachel de Queiroz
Para Tania


“Esses instantes em que se revela a trama da nossa existência,
pela força de um ritual que reconduziremos com mais prazer ainda por tê-lo infringido,
são parênteses mágicos que deixam o coração à beira da alma,
porque, fugaz mas intensamente,
um pouco de eternidade veio de repente fecundar o tempo.
Lá fora o mundo ruge ou dorme, as guerras se inflamam,
os homens vivem e morrem,
as nações perecem, outras surgem e breve serão tragadas,
e em todo esse barulho e todo esse furor, nessas erupções e nessas ressacas
- enquanto o mundo vai, se inflama, se dilacera e renasce -,
agita-se a vida humana.”
Muriel Barbery
Para Margaret


“E chegou o dia, em que permanecer encerrada no casulo, era mais doloroso que o risco de se libertar.”
Anais Nin
Para Júlia


“Há sempre algo de ausente que me atormenta.”
Camile Claudel
Para Ilana


“Amuralhar o próprio sofrimento é arriscar que ele te devore desde o interior."
Frida Kahlo
Para Carlinha


Que o ano de 2014 seja cheio de encontros de Lagartixas.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Redescobrir


"Como se fora brincadeira de roda...
Memória!
(...)
Como um animal que sabe da floresta...
Redescobrir o sal que está na própria pele...
Redescobrir o gosto e o sabor da festa
Magia!

(...)
Vai o bicho homem fruto da semente
Memória!
Renascer da própria força, própria luz e fé
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós
História!
Somos a semente, ato, mente e voz
Magia!
Não tenha medo meu menino povo
Tudo principia na própria pessoa
Beleza!
Vai como a criança que não teme o tempo
Mistério!
Amor se fazer é tão prazer que é como fosse dor
Magia!"

(Gonzaguinha)


Todas as quartas nos reunimos e rodeamos algo, um balcão uma mesa ou simplesmente um pedaço de chão. Como um ritual, nos colocamos no espaço da vez em círculo, para olharmo-nos todas.

Mais um texto se inicia e a brincadeira começa, brincadeira de roda Vera, como imaginado por você... Roda dessas crianças de outrora, Margaret, hoje crescidas, brincando fora do tempo...

Noite feliz, como manda o figurino, felicidade genuina e gratuita, pelo simples estar junto, se des-cobrindo e re-descobrindo...

Essa música que trago poderia ter sido criada nessa noite, pois retrata tão bem nossa ciranda do natal...

"Entender que tudo é nosso e sempre esteve em nós"! resumiria bem o debate iniciado pelas Marias Josés borgianas, que teria se desenvolvido de maneira fascinante não fosse o relógio apitando, lembrando que nossa carruagem não poderia passar da meia noite, tinhamos ali que iniciar a brincadeira de roda.

O fechamento com a trilha sonora by cirandeira oficial foi inacreditável, só um cd assim para nos lembrar e provar que  noites como essas acontecem... Centelha divina!

Lindo fim de ano a todas! Até 2014!

"Se muito vale o já feito, mais vale o que será"!

Abraço apertado!

Jú.







quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Louis Wain






Louis Wain (15 de agosto de 1860 em Londres - 4 de Julho de 1939 em Londres) foi um artista britânico conhecido por seus desenhos, que caracterizavam antropomorfismo de gatos e gatinhos com grandes olhos. Louis sofria de esquizofrenia.
Desenho de gatos.

Sua vida e seu trabalho

A progressiva fuga da realidade para a fantasia está expressa nas suas pinturas. São de Louis Wain, artista plástico europeu do início do século passado. Wain, desde jovem, costumava pintar retratos de gatos para calendários, álbuns, cartões-postais, etc. Aos 57 anos, sua vida e sua arte apresentavam sintomas de psicose. Passou os últimos 15 anos da vida em instituições psiquiátricas. Os retratos dos gatos que pintava, tomaram uma forma ameaçadora. Reveladores de seu estado psicótico são os olhos dos gatos, que miram fixamente com hostilidade, mesmo num de seus primeiros desenhos desta fase (primeira imagem). O psicótico geralmente acha que o mundo crava nele olhares hostis. Outro sinal é a fragmentação do corpo. As imagens do corpo sofrem uma estranha transformação na psicose e quase sempre são representadas com distorção, aproximando-se da forma de um fractal.

LUZ, SOMBRA E SILÊNCIO

O Corvo, o Melro e o Labirinto...

DA PRIMEIRA VEZ QUE ME ASSASSINARAM
Mário Quintana
Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha..
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...
E hoje, dos maus cadáveres, eu sou...
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como o único bem que me ficou!
Vinde corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um "ai",
A luz do morto não se apaga nunca!

(por Denise Ramiro)

NASCIMENTO
Georg Trakl
Montanhas: negror, neblina e neve.
Vermelha, a caça desce a floresta;
Oh, os olhares de musgo da presa.
Silêncio da mãe; sob pinheiros negros
Abrem-se as mãos dormentes
Quando, vencida, aparece a fria lua.
Oh, o nascimento do Homem. Noturna murmura
A água azul no fundo da rocha;
O anjo decaído olha em suspiros sua imagem,
E pálido corpo desperta em câmara úmida.
Duas luas
Iluminam os olhos da anciã pétrea.
Dor, grito que dá à luz. Com asa negra
A noite toca a têmpora do menino,
Neve que desce de nuvem purpúrea.
( 1913 )


(por Adri Felden)

O SUICIDA
Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"
Não restará na noite uma só estrela.
Não restará a noite.
Morrerei e comigo irá a soma
Do intolerável universo.
Apagarei medalhas e pirâmides,
Os continentes e os rostos.
Apagarei a acumulação do passado.
Farei da história pó, do pó o pó.
Estou a olhar o último poente.
Oiço o último pássaro.
Lego o nada a ninguém.

Um morre na Luz, outro nasce nas trevas e o outro se desfaz de si.
A Sombra, a Luz e o Último Ato.
Um é Outono,
Outro Primavera,
Outro Inverno.
Um aquece,
Outro Esfria,
Outro Silencia.
Um Acredita,
Outro Espera,
Outro apaga...

Cláudia Belintani Abbud

(Postado por Júlia Ramiro Bellintani)

 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Murar o Medo - Mia Couto



O medo foi um dos meus primeiros mestres.

Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demônios  Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem, servindo como agentes da segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos.

Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambientes que reconhecemos. Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território.

O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura, algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.

No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional: os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência do país, e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantes junto à nossa porta, os ditos terroristas são governantes respeitáveis e Karl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência.

O preço dessa construção [narrativa] de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades. Em nome da segurança mundial foram colocados e conservados no Poder alguns dos ditadores mais sanguinários de que há memória. A mais grave herança dessa longa intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.

A Guerra-Fria esfriou mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo, a Oriente e a Ocidente. E porque se trata de novas entidades demoníacas não bastam os seculares meios de governação… Precisamos de intervenção com legitimidade divina… O que era ideologia passou a ser crença, o que era política tornou-se religião, o que era religião passou a ser estratégia de poder.

Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas. A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade.

Para enfrentar as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania. Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho começaria pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e do outro lado, aprendemos a chamar de “eles”.

Aos adversários políticos e militares, juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade é imprevisível. Vivemos – como cidadãos e como espécie – em permanente situação de emergência. Como em qualquer estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa.

Todas estas restrições servem para que não sejam feitas perguntas [incomodas] como, por exemplo, estas: porque motivo a crise financeira não atingiu a indústria de armamento? Porque motivo se gastou, apenas o ano passado, um trilião e meio de dólares com armamento militar? Porque razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadaffi? Por que motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça?

Se queremos resolver (e não apenas discutir) a segurança mundial – teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes. Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que sejam precisos pretextos de guerra. Essa arma chama-se fome. Em pleno século 21, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fracção muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo.

Mencionarei ainda outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em cada três mulheres foi ou será vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida… A verdade é que… pesa uma condenação antecipada pelo simples facto de serem mulheres.

A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome, e como militares sem farda deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e de discutir razões. As questões de ética são esquecidas porque está provada a barbaridade dos outros. E porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência nem de ética nem de legalidade.

É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A chamada Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente, morreram mais chineses construindo a Muralha do que vítimas das invasões do Norte. Diz-se que alguns dos trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora de quanto o medo nos pode aprisionar.

Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos. Mas não há hoje no mundo muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente… Citarei Eduardo Galeano acerca disso que é o medo global:

“Os que trabalham têm medo de perder o trabalho. Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho. Quem não têm medo da fome, têm medo da comida. Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.”

E, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe.


(Postado por Jú Ramiro Belintani)

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

CARTA ABERTA A UM ESCRITOR

Um sonho...

Somos uma Confraria de leitura constituída de 16 mulheres que existe há quatro anos.

Este grupo é formado por psicólogas, jornalistas, bailarinas e empresárias.

Estudamos autores latinos americanos e chegamos até você.

Mergulhamos nos seus contos.

Foi um encantamento geral.
Viajamos com os pés no chão.

Choramos e rimos.

Sentimos a essência da sua obra.

 Estávamos planejando viajar para Moçambique para trocar um olhar, uma ideia, um pensamento.

Nos identificamos com suas mulheres, choramos com seus homens, nos emocionamos com seus meninos e aprendemos com seus velhos.

Para nossa surpresa, soubemos da sua vinda para São Paulo e com muita pretensão, gostaríamos de recebê-lo para um bate papo.

Imaginamos que sua agenda deva estar atribulada, mas se vive de sonhos (abensonhados) e de repente pode ser que  a magia aconteça e eles se transformem em realidade.

Estamos à disposição para qualquer possibilidade de encontro.

No seu tempo.

Aguardamos retorno.

Com carinho,
Confraria das Lagartixas

MIA

'Duas mulheres taitianas' - Paul Gauguin

O Amor, Meu Amor

Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.

Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.

E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.

E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.

Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.

Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.

Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.

E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.

E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.

Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.

Mia Couto, in "idades cidades divindades"
        


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Leda Hamparian

Feira de Sonhos...

Foi assim:

Ela chegou
pertinho,
devagarinho, 
com um "Pote Vazio" 
nas mãos
e
sussurrou para mim
que
organizava 
uma
feira 
de 
sonhos...

Bastava 
um
espaço qualquer
para amontoar
livros
e
o sonho
acontecia.

Com vocês,
Leda
Labriola
Hamparian

A Livreira.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Caminho Colorido

Na calçada caminho,  quase na rua. Na minha quase casa, ao lado da porta amarela.
Na minha quase casa, ao lado das janelas amarelas.
Sigo na linha do varal, na frente da minha casa azul.
As vezes sonho que o vento e o varal me puxaram para o céu azul, cor da minha quase casa.
Sigo na linha imaginária  colorida das nossas roupas no varal, se vou para direita ou esquerda não sei, só sei que quando pulo, posso agarrar meu vestido  florido e sair dançando em frente minha casa de nuvens , nuvens  que me levam pra longe, nas flores  que agora visto, coloridas  e felizes. Quando desperto, acabo  eu de novo na calçada do meu caminho.


Adri F.


sábado, 8 de junho de 2013

Liberdade comprometida


Polêmica, invisível...  sempre sedutora e duvidosa ideia de Liberdade.

A noção comum sobre ser livre é fazermos o que bem quisermos. E, de fato, é o que ela acaba por ser, na maioria dos relatos e percepções que tenho de outros. Mas creio que isso faça sentido nas primeiras linhas, para percebermos que é condição humana as infinitas possibilidades de ser, a abertura de poder ser outra coisa, o alívio na possibilidade outra. Temos tendências, família, temos medos, marcas, desejos e encantamentos, mas, mesmo tudo isso sendo uma grande teia que pode nos prender, um óculos que molda nossa visão e nos cega, podemos optar por sair desse lugar.



Mas, após essas primeiras noções de amplitude, surge uma nova página em branco...

E depois?

E depois de fazer tudo aquilo que quero? Por que essa liberdade não perdura? Será de fato por todos os clássicos argumentos ou será que nós mesmos colocamos um fim nela?

A liberdade pela liberdade, nessa ideia, é como o eu por mim mesmo sem envolver mais ninguém, me desagregando de outros que não sejam eu e minhas vontades. Até que ponto isso se mantém como alívio?

Não falo aqui apenas da vida desacompanhada, não partilhada, não somada com outros. Tal desagregação também precisa ser cuidada, mantida, trabalhada, também estará enredada, enteiada em algo para que possa continuar existindo. Seja uma profissão autônoma, seja a decisão de morar só, seja a decisão de romper laços com outros e buscar possíveis outros.

O depois do ato de libertação carrega certas consequências pouco pensadas no momento do ato.



Para literalmente vagarmos pelo mundo livres precisamos comer, transitar entre lugares, ter uma terra ou um dinheiro para que seja nossa fonte de manutenção. E, se formos humanos em meio a outros, iremos querer afeto de outros. Então no ato de libertação estaremos nos desagregando de algo para nos agregarmos a outro algo.

A liberdade de se desprender de relações, de costumes e lugares exige uma ação simples.
Não estar mais presente.

Mas hoje vejo que minhas maiores ameaças não vem desses todos que estão fora e dos quais quero me afastar. Esses, na realidade, não tem o poder de decidir por mim, de andar, respirar, sentir por mim. Eles podem ter esse intuito e saber maneiras de convencer-me de tais coisas, mas quem age de fato, quem se convence sou eu. Ninguém tem o poder de nos mudar, de nos controlar e nem mesmo de nos fazer mal. Se caimos nessas questões é por que parte de nós acredita nessas visões e orientações de outros. Se caimos nessa teia é porque fomos atraídos para ela e por lá nos deixamos ficar. Nossa condição de sempre possível nova escolha pode sim nos tirar dela.

Nesse sentido, se somos nós a estar nela, se é nosso corpo ali dentro, será justo culpar os que fora estão e nos iludir que, nos afastando deles, estamos nos livrando desse grande mal? Grande mal que nada mais é que nós mesmos. Os que fora estão apenas provocam ou inspiram o que nos afeta, nos comove, nos move. Podemos entender que esses tão abomináveis outros podem ser nossos grandes espelhos.

Vamos optar então por estar a sós com todos esses sentimentos? De não ter a chance de mostrá-los a alguém, de doar, de aliviar, de desmistificar no contato com o outro? Em nós mesmo ele só cresce, pois, aí sim, esse está preso a nosso ponto de vista, único.

Será de fato que adianta mudar o que existe hoje para ter que futuramente também lidar com outras diversas e difíceis questões de outros? A libertação seria o rompimento com o outro e não com nossos pontos indesejáveis?

Isso para mim é liberdade. Domar o que em mim está e que não quero que fique. E, enquanto eu não tiver força de parar de sentir tais questões, de tirá-las do barco, que eu consiga domá-las. E, um dia, quando essas virem que não tem mais função por ali, que deixem o barco e a mim para ir embora de vez, sem despedidas, deixando espaço para novas coisas entrarem, as quais eu convidei.

Acredito ser desafio o suficiente encararmos quem somos de fato e nos dedicar ao que queremos ser, para perder tempo entrando em conflitos com outros que nada mais são que eles mesmos.

Nesse sentido, a liberdade exige um grande comprometimento. Escolher por algo é desejar que esse algo esteja ali e, para isso, precisamos assumir e cuidar dessa escolha. Lembro de um caso em psicologia de um menino de 15 anos que estava decidindo em terapia se continuaria ou não na escola. Poder não estar na escola é uma opção, mas ele bancaria essa atitude com todas as implicações que ela tem? Ele descobriu, sozinho, que no caso dele não. Então muitas vezes queremos nos libertar de algo que, no fundo, não queremos de fato ou de algo que não é possível, pois as consequências que essas teriam exigiriam de nós algo que nos aprisionaria ainda mais.

Então acredito que libertar-se exige comprometer-se com essa liberdade para que ela perdure.Isso dá trabalho, é singular, não tem manual pronto. É como um trabalho em uma empresa e um trabalho autônomo. O segundo exige muito mais que o primeiro e é muito mais apetitoso. Portanto acredito nesse conceito de liberdade. Terei liberdade a partir do momento em que eu me comprometer com ela, em que eu me comprometer comigo mesma.

  Lutar com nossos tigres de bengala não é fácil. Quando penso que estou trilhando meus caminhos, olho as discretas migalhas que marcam esse trajeto e percebo como esses farelos marcam o percurso. Mas elas são discretas a ponto de que, caso eu não olhe para trás, eu não as perceba e elas continuem marcando meus passos.

Creio que minha liberdade está em decifrar um labirinto. Não só ir buscando a saída, sem a menor ideia do que vem, mas sim olhar para trás e ver qual trajeto fiz até aquele determinado ponto, tentar perceber que curvas escolhi fazer, por onde vim, para ver se me ajuda a escolher para onde vou ou, ao menos, saber o caminho de volta e começar de novo.

Minha liberdade e meu desafio é poder escolher acima de meus impulsos. De poder, deles sim, livrar-me e escolher quem quero ser.




Quero ser árvore com rodas, que siga sob o céu fechado...



Por Jú Ramiro Belintani.










quarta-feira, 8 de maio de 2013

PRENDA-ME...


Um olhar em carne viva...

O que vi?
O que senti?
O que apreendi?

Violência,
Frio,
Medo,
Tormenta, 
Manipulação,
Poder,
Prisão,
Barbárie,
Abandono,
Drogas,
Morte...

Também
 doçura,
Amor,
Cuplicidade,
Desapego,
Meiguice,
Olhares,
Mulheres,
Pais e Filhos,
Companheiros,
Amantes,
Sorrisos,
Liberdade,
Vida...

Tudo isto se passa em uma sala escura de uma delegacia.
 A fabulosa Miou Miou transcende o humano com a sofrida e querida tenente de plantão.
O diretor filma em primeira pessoa, ou seja - a câmera se coloca no lugar da protagonista. A atriz (Sophie Marceau), sustentou o aparelho acoplado em sua cabeça. A sensação que se tem é de estar vivendo os fatos juntos com ela. Colocar-se no lugar do outro e sentir simultaneamente. 
Tem horas em que vc quer sair da sala e ir embora, tamanho o claustro da dor.

Mas...
Tem a cumplicidade feminina, apesar das vivências difusas que se encaixam no final. 
Tem neuroses intransponíveis, mas uma vontade infinita de acreditar e deixar semeado no caminho algo parecido com flores. 
Que semente? que trilha? o que afinal plantamos na vida?
Filme duro.
Mas imperdível.

Não poderia deixar de registrar algo tão humano.

Bj,
Cláudia Belintani Abbud


terça-feira, 9 de abril de 2013

Nove de Abril


Amigas Tixas!!!
Agradeço a todas pela lembrança, pelas palavras dadas a minha pessoa; simplesmente amei! Você foram unanimes!
Tive um dia ótimo, super cheio de atividades, muitas ligações, torpedos e agora chego em casa abro minha caixa de emails e leio todas vocês, que tesão!
Os 48 me caíram muito bem, gostei.
Obrigada e beijocas com gosto de amanhã
Sil Azul

segunda-feira, 11 de março de 2013

PATRÍCIA NEGRÃO



Patrícia Negrão Lagartixa

Jornalista especializada em comportamento e biografias, viaja pelo país todo ouvindo histórias de pessoas das mais diferentes áreas. É coordenadora de conteúdo do Prêmio CLAUDIA desde 2000 e, anualmente, pesquisa, seleciona e entrevista candidatas em todos os Estados. Foi coordenadora e é co-autora do livro Brasileiras Guerreiras da Paz (editora Contexto, 2006), que retrata a história de 52 brasileiras indicadas para concorrer ao Nobel da Paz 2005. 

A trajetória de 52 mulheres em defesa da paz é o tema de Brasileiras guerreiras da paz, organizado pela ativista Clara Charf, com textos das jornalistas Carla Rodrigues, Fernanda Pompeu e Patrícia Negrão. São perfis e fotos de mulheres de todo o Brasil, atuantes no campo, na academia, nas aldeias indígenas, nos quilombos, nas grandes cidades, nas periferias, no Planalto Central. São mulheres de 30 a 90 anos de idade: ativistas, anti-racistas, políticas, ambientalistas, escritoras, artistas, feministas, sociólogas, cientistas, advogadas, médicas, ialorixás, lideranças indígenas.

O livro teve origem no Projeto Mil Mulheres, iniciativa de ativistas suíças que propuseram o nome de 1.000 mulheres de 154 países para concorrer coletivamente ao Nobel da Paz de 2005. Ao Brasil, coube indicar 52 mulheres, proporcional à sua população. Clara Charf coordenou a seleção. O Nobel da Paz não foi dado às 1.000 mulheres. No entanto, as vidas dessas guerreiras merecem luz e destaque na história. Surgiu, assim, o livro Brasileiras guerreiras da paz. As jornalistas Carla Rodrigues, Fernanda Pompeu e Patrícia Negrão entrevistaram e biografaram cada uma delas.

Lagartixas:
É estranho como os caminhos dos labirintos se encontram e nos fazem voltar no tempo. Um armário que se abre e um casaco me abraça, alguém querido e atento que partilhou uma cozinha especial há tempos idos, um sorriso no olhar e uma história de luta e superação.
Seja bem vinda Patrícia.

Abaixo, algo seu.
Você partilhando e ouvindo a vida.

Milagrimas  
Ná Ozetti e Itamar Assumpção

Em caso de dor, ponha gelo
Mude o corte do cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo
Esqueça seu cotovelo
Se amargo for já ter sido
Troque já este vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada milágrimas sai um milagre
Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa
Coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra apenas, viva apenas
Sendo só fissura, ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço
A cada milágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
A cada milágrimas sai um milagre


Com carinho,
Lagartixas

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

HISTÓRIAS MÍNIMAS

Foto: Margaret

"Meu amado e eu nos presenteamos com coisas mínimas, mas que tenham história.
Numa de suas peregrinações, foi de encontro com uma escultura de elefante.
O vendedor, um sábio homem, disse que não poderia vender um só, pois a família deveria estar unida.
Meu querido, prontamente, arrematou toda a manada e o mais novo é uma peça pequenina, algo que me inspirou um cuidado maior.
Nossa secretária, que se chama "Delicata", eventualmente limpa a estante - nestes dias, quando chego, meu olhar vai direto em busca da família e descubro que o pequeno se perdeu.
Com o coração apertado, reviro a casa, o encontro e encaixo o pequeno em seu lugar."
Joana

Foto: Margaret

"A África me encantou.
Especialmente as Elefantas.
Descobri que as manadas são compostas de fêmeas.
Os machos só acompanham as mulheres enquanto bebês.
Depois são condenados a caminhar sozinhos e só se aproximam para acasalar.
A Matriarca mais velha é quem conduz o destino da família.
Meu olhar se perdeu na Areia e no Tempo…" 
Margaret

Foto: Margaret

"Ontem a noite girou em volta da mesa, com um universo de histórias saltando das estantes, das paredes, dos discos e livros que envolvem a harmonia e a alegria de alguém que vive vivendo.
Gatos Miaram, Mulheres choraram, Contos Cantaram e o caldeirão se acendeu."
Cláudia

"Estou digerindo o Universo. (Pi)"
Denise

"Este conto foi Foda"
Adri

"Vem cá meu Anão..."
Carla



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Postado por Lagartixa no Blog das Lagartixas em 2/21/2013 05:32:00 PM