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| O Corvo, o Melro e o Labirinto... |
DA PRIMEIRA VEZ QUE ME ASSASSINARAM
Mário Quintana
Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha..
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...
E hoje, dos maus cadáveres, eu sou...
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como o único bem que me ficou!
Vinde corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um "ai",
A luz do morto não se apaga nunca!
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...
E hoje, dos maus cadáveres, eu sou...
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como o único bem que me ficou!
Vinde corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um "ai",
A luz do morto não se apaga nunca!
(por Denise Ramiro)
NASCIMENTO
Georg Trakl
Montanhas: negror, neblina e neve.
Vermelha, a caça desce a floresta;
Oh, os olhares de musgo da presa.
Silêncio da mãe; sob pinheiros negros
Abrem-se as mãos dormentes
Quando, vencida, aparece a fria lua.
Oh, o nascimento do Homem. Noturna murmura
A água azul no fundo da rocha;
O anjo decaído olha em suspiros sua imagem,
E pálido corpo desperta em câmara úmida.
Duas luas
Iluminam os olhos da anciã pétrea.
Dor, grito que dá à luz. Com asa negra
A noite toca a têmpora do menino,
Neve que desce de nuvem purpúrea.
( 1913 )
(por Adri Felden)
O SUICIDA
Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"
Não restará na noite uma só estrela.
Não restará a noite.
Morrerei e comigo irá a soma
Do intolerável universo.
Apagarei medalhas e pirâmides,
Os continentes e os rostos.
Apagarei a acumulação do passado.
Farei da história pó, do pó o pó.
Estou a olhar o último poente.
Oiço o último pássaro.
Lego o nada a ninguém.
Um morre na Luz, outro nasce nas trevas e o outro se desfaz de si.
A Sombra, a Luz e o Último Ato.
Um é Outono,
Outro Primavera,
Outro Inverno.
Um aquece,
Outro Esfria,
Outro Silencia.
Um Acredita,
Outro Espera,
Outro apaga...
Cláudia Belintani Abbud
(Postado por Júlia Ramiro Bellintani)
NASCIMENTO
Georg Trakl
Montanhas: negror, neblina e neve.
Vermelha, a caça desce a floresta;
Oh, os olhares de musgo da presa.
Silêncio da mãe; sob pinheiros negros
Abrem-se as mãos dormentes
Quando, vencida, aparece a fria lua.
Oh, o nascimento do Homem. Noturna murmura
A água azul no fundo da rocha;
O anjo decaído olha em suspiros sua imagem,
E pálido corpo desperta em câmara úmida.
Duas luas
Iluminam os olhos da anciã pétrea.
Dor, grito que dá à luz. Com asa negra
A noite toca a têmpora do menino,
Neve que desce de nuvem purpúrea.
( 1913 )
(por Adri Felden)
O SUICIDA
Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"
Não restará na noite uma só estrela.
Não restará a noite.
Morrerei e comigo irá a soma
Do intolerável universo.
Apagarei medalhas e pirâmides,
Os continentes e os rostos.
Apagarei a acumulação do passado.
Farei da história pó, do pó o pó.
Estou a olhar o último poente.
Oiço o último pássaro.
Lego o nada a ninguém.
Um morre na Luz, outro nasce nas trevas e o outro se desfaz de si.
A Sombra, a Luz e o Último Ato.
Um é Outono,
Outro Primavera,
Outro Inverno.
Um aquece,
Outro Esfria,
Outro Silencia.
Um Acredita,
Outro Espera,
Outro apaga...
Cláudia Belintani Abbud
(Postado por Júlia Ramiro Bellintani)

Adri, vc de Bibiana, conduzindo a noite, um cozinheiro inspirado criando nos bastidores, nossa ciranda girando e entrando no outono e nas cores de Tralk, um noturno, um vampiro enfeitiçado pelas luzes do ópio, um seguidor da sombra e da melancolia.
ResponderExcluirObrigada pela acolhida quentinha e iluminada.
Noite de Sombras, iluminada pela sua luz.
É muito bom poder caminhar em novas estradas.
Bj,
Com carinho,
Cláudia