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| Para a Júlia que adora amarelo e a Carlinha que adora Girassóis |
Por Angela Camazano
Texto de Marcos Mairton
Texto de Marcos Mairton
Em um terreno baldio, em meio a restos de material de construção e muito mato, nasceu um pé de girassol.
Não se sabe se a semente foi lançada ali deliberadamente por alguém, se chegou trazida pelo vento ou se veio junto com os restos da refeição de uma calopsita. O certo é que a semente brotou, a planta cresceu e, em uma ensolarada manhã, uma bela flor amarela desabrochou, erguendo-se bem acima do mato rasteiro.
Antes que a flor surgisse, ninguém havia percebido a planta crescer até quase um metro e meio de altura. Talvez por isso as pessoas se mostrassem admiradas e surpresas com a presença do girassol naquele lugar improvável.
A mulher que morava em frente ao terreno baldio foi a primeira a ver a novidade, e ficou mais tempo que o de costume debruçada na janela do quarto, no andar de cima de sua casa duplex. Um homem que passeava com seu cachorro ficou alguns minutos parado, simplesmente olhando para o girassol. Outra mulher, que levava o filho à escola, quase se irritou com os puxões que o garoto dava em seu braço, tentando chamar a sua atenção para a flor. Antes, ele somente havia visto outras daquela espécie na Internet e em um livro de ciências. Ao perceber do que se tratava, a mãe se acalmou.
E assim foi o começo do dia naquela rua, até que cada um foi cuidar dos seus afazeres e o belo girassol ficou sozinho em seu terreno baldio.
Somente mais tarde, em um momento no qual não havia ninguém na rua, apareceu uma jovem senhora. Estava vestida com roupas que normalmente se usam em academias de ginástica e tinha os cabelos presos por uma faixa de tecido. Ela também parecia atraída pelo girassol, mas, ao invés de ficar olhando de longe, como os outros, caminhou com dificuldade pelo piso acidentado do terreno baldio, aproximou-se da planta e, com uma tesourinha de cortar unhas, rompeu o talo e retirou a flor. Depois foi para casa sorrindo, segurando em uma das mãos o seu troféu.
Minutos depois, o menino que havia dado puxões no braço da mãe passou novamente por ali, voltando da escola, e percorreu com os olhos cada centímetro do terreno baldio. No entanto, viu apenas o mato e restos de material de construção.
P.S.: Após esse episódio, o menino acabou por convencer a mãe a plantar girassóis em seu próprio quintal, mas, durante meses, cada vez que nascia uma flor, ele ficava todo o tempo que podia vigiando-a. Dizia à mãe que essas flores misteriosas podem se soltar da planta e voar em direção ao sol quando ninguém está olhando.
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* Marcos Mairton é escritor, compositor e Juiz Federal em Quixadá/CE

Beijos,
ResponderExcluirCom carinho,
Angela.
Acho que o Girassol está na mesma situação de "O Búfalo do Rio" do livro "Contos de Lugares Distantes".
ResponderExcluirSabe o Caminho...
Lindo Angela!
Saudades,
Bjs,
Cláudia
Lindo o PS... voar em direçaõ ao sol...
ResponderExcluirBjos
MJ
Lindo Angela!
ResponderExcluirGostei das dedicatórias!
beijocas carinhosas
Sil Azul
Agradeço ao blog a divulgação do meu texto.
ResponderExcluirÉ bom quando a gente escreve algo e alguém se identifica e valoriza.
Abraços às lagartixas que por aqui circulam.
Ângela,
ResponderExcluirque quentinho de sol gostoso...
Olha só até onde alcançam os girassóis, em sua trajetória amarela...
Arranca-lo implicaria em sua morte, mas não, ele só foi inspirar em outras bandas e sua ausência gerou mais vida ainda, com a plantação do menino... aí estão os encontros sem folha pautada e o permanecer de algo que aparentemente já se foi.
Da mesma forma que a sombra nos pega de surpresa, o amarelo também nos espanta, quando vemos que ele existe sim. 90% do que ouço é sobre tudo que pode dar errado, que temos sempre que contar com o pior, mas ando me perguntando... e se der certo? Descobri nos últimos tempos que muito pode dar, surpreendentemente, mais frutos do que quedas. É preciso cuidado, nada garante que as coisas estejam condenadas ao fracasso, não contemos apenas com as derrotas previstas, podemos ser pegas desprevenidas pela inundação amarela no apartamento de Gabriel (A Luz é como Água).
Ângela, obrigada!
Beijos amarelos!
Jú.
Boa Juju. Se olharmos de frente para o sol as sombras ficarão às nossas costas.
ResponderExcluirBjo.
MJ