sábado, 10 de dezembro de 2011

SOBRE O ESPiRITO DA LagarTIXA

Queridas,
Tentei outro dia introduzir na roda uma poetisa que encontrei.
Fiz tudo bonitinhone qdo fui consertar os erros perdi tudo.
Vou começar novamente, repetirei a introdução corrigindo um erro. A Poetisa é polonesa e não russa como dito anteriormente.
Primeiramente encontrei o poema e a seqüência de descobertas que se seguem na investigação dos sentidos do poema nos fazem pensar que somos lagartxas correndo atras de nosso próprio rabo.
Acompanhem,

Sempre em nossas labirínticas discussões fico pensando que me identifico muito mais com a idéia de bifurcação do que com a de labirinto.
Encontrei, então uma poetisa polonesa que fala do que sinto, como vivo, como olho e observo a experiência do viver.



POEMA DE WISLAWA SZYMBORSKA

Autotomia

Diante do perigo, a holotúria se divide em duas:
deixando uma sua metade ser devorada pelo mundo,
salvando-se com a outra metade.

Ela se bifurca subitamente em naufrágio e salvação,
em resgate e promessa, no que foi e no que será.

No centro do seu corpo irrompe um precipício
de duas bordas que se tornam estranhas uma à outra.

Sobre uma das bordas, a morte, sobre outra, a vida.
Aqui o desespero, ali a coragem.

Se há balança, nenhum prato pesa mais que o outro.
Se há justiça, ei-la aqui.

Morrer apenas o estritamente necessário, sem ultrapassar a medida.
Renascer o tanto preciso a partir do resto que se preservou.

Nós também sabemos nos dividir, é verdade.
Mas apenas em corpo e sussurros partidos.
Em corpo e poesia.

Aqui a garganta, do outro lado, o riso,
leve, logo abafado.

Aqui o coração pesado, ali o Não Morrer Demais,
três pequenas palavras que são as três plumas de um vôo.

O abismo não nos divide.
O abismo nos cerca.

¥¥¥¥¥¥

Autotomia

Autotomia é a capacidade que alguns animais possuem de liberar partes docorpo, ou uma auto-mutilação usada como meio de defesa, podendo essas partes regenerar-se ou não após um período de tempo.

¥¥¥¥¥¥

Sobre a autora


Wislawa Szymborska nasceu em 1923, na cidade de Kórnik, na Polônia. Quando ainda criança, sua família mudou-se para Cracóvia, um dos mais ativos centros culturais da Polônia, e a poeta cresceria e permaneceria toda a sua vida nesta cidade. Sua vida literária e artística inicia-se durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto segue com sua educação nos anos subterrâneos da resistência cultural polonesa contra a ocupação nazista. Com o fim da guerra, passa a estudar sociologia, além de língua e literatura polonesas, na Universidade de Cracóvia.

Seu primeiro livro é proibido pela censura do regime comunista por não estar de acordo com os regulamentos da literatura socialista. Tenta conformar-se às regras para conseguir publicar, rejeitando mais tarde, a partir da década de 50, a ideologia político-estética socialista. Nega seus dois primeiros livros e “reinicia” sua obra com o volume Wołanie do Yeti (Chamando Yeti), de 1957. Em 1962, chama a atenção da comunidade poética polonesa com o pequeno volume Sól (Sal). Desde então, seu trabalho espraia-se por pouco mais de 10 volumes de poemas, o último tendo sido publicado em 2005, com o título Dwukropek (“Dois pontos”, como no sinal de pontuação). Wislawa Szymborska era uma discreta poeta polonesa até tornar-se mundialmente conhecida em 1996, ao vencer o Prêmio Nobel de Literatura.

¥¥¥¥¥¥¥¥¥¥
Seguimos....
Com todo carinho,

Thais

Um comentário:

  1. Thais:

    A metamorfose,a vida que anda, os caminhos que se cruzam, as escolhas, as perdas e os jardins de girassóis...
    Tudo isto nos refaz a cada passo, a cada degrau, a cada jornada.
    Mas o vazio, o abismo, mora ao lado.

    Vida, minha amiga, vida.
    Lindo o poema, linda a comparação com a lagartixa, com nossas escolhas, com a vida.
    Bj,
    Cláudia

    ResponderExcluir