quarta-feira, 21 de novembro de 2012

EL HERMANO MENOR



"De repente, o Colorado se rendeu: com sua cabeça esbelta pendendo para o chão, como se estivesse envergonhado..."


Silvia querida:


Alguém perguntou ao Boaz (não sei se vc ou a Tânia): por que os meninos brigam? Ele respondeu de bate  pronto: pela honra.


Li "O Irmão Menor" e pensei na pergunta e na resposta - induzidos pelo Llosa, com sua febre de juventude e transição que o livro "Os Chefes" nos transporta.


Honra:  Um sentimento humano relacionado com a procura do respeito público, manutenção de bom-nome e dignidade. Relacionado também com glorificar ou distinguir (honrar).


 Bandeira, estandarte, brasão, algo a ser preservado, em nome da, em defesa da, por...


De novo bichos... Desta vez cavalos tocam a realidade em detrimento do olhar humano.


O irmão civilizado, alheio ao ânima, distante da visceralidade.


Vem de Lima "o irmão menor", não sabe pegar em armas e se impressiona com a capacidade do mais velho em ter a arma como continuidade do corpo, como se sempre estivesse ali, em punho, armada para o que não se encaixasse.


Onde?

Num lugar um pouco distante da civilização, onde índios são escravos e se curvam frente aos seus "donos".

Quem mata?

 "O Irmão Menor"? "O que Controla"? Ou a "Irmã Que Mente"? 

De novo Peter Pan e sua Sombra. 
Uma cadela prenhe se insere na narrativa e revela a carência dos irmãos. 
Um desejo de bicho enjaulado na "menina mimada e malvada" que esperneia. 
Irmãos que se lançam num precipício e se perdem com a chegada da noite e da névoa. 
Um Índio que se entrega ao seu destino e se deixa morrer. 
A água da cachoeira que cai e abafa os sentidos e o final apoteótico no lombo de um garanhão que trava uma batalha entre homem e bicho. 

Quem vence? 
Como fugir do animal? 
De novo meninos e suas bandeiras intransponíveis. 
Em nome da honra.

Bj,
Cláudia

Um comentário:

  1. quem mata? os três. matam a honra e a dignidade de todos os índios que vivem escravizados na fazenda, o que torna a morte de fato apenas um detalhe. "às vezes a morte não é o mais importante", me disse um dia uma pessoa, que você, claudia, conhece muito bem. beijos gurias, d.

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