segunda-feira, 25 de junho de 2012

O LOUCO


Liberdade... Poder Ser... Viva a lucidez da loucura!!!


O Louco
Khalil Gibran

 
Perguntas-me como me tornei louco.  
Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas  – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado  em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias  de   gente,   gritando:   “Ladrões,   ladrões,   malditos  ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E, quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

Por Cláudia Belintani

4 comentários:

  1. Se um dia pudermos nos despir de nós...
    Com Respeito pela Loucura que Liberta,
    Cláudia

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  2. Balada Para un Loco

    Astor Piazzolla


    Las tardecitas de Buenos Aires tienen ese que se yo, viste?
    Salgo de casa por Arenales, lo de siempre en la calle y en mi...
    Cuándo, de repente, detras de un árbol, se aparece el.
    Mezcla rara de penultimo linyera
    y de primer polizonte en el viaje a Venus.
    Medio melón en la cabeza,
    las rayas de la camisa pintadas en la piel,
    dos medias suelas clavadas en los pies
    y una banderita de taxi libre levantada en cada mano.
    Parece que solo yo lo veo,
    Porque él pasa entre la gente y los maniquíes le guiñan,
    los semáforos le dan tres luces celestes
    y las naranjas del frutero de la esquina
    le tiran azahares.
    Y así, medio bailando y medio volando,
    se saca el melón, me saluda,
    me regalo una banderita y me dice:

    (Cantado)

    Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...
    No ves que va la luna rodando por Callao,
    que un corso de astronautas y niños, con un vals,
    me baila alrededor... ¡Bailá! ¡Vení! ¡Volá!

    Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...
    Yo miro a Buenos Aires del nido de un gorrión
    y a vos te vi tan triste... ¡Vení! ¡Volá! ¡Sentí!...
    el loco berretín que tengo para vos.

    ¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
    Cuando anochezca en tu porteña soledad,
    por la ribera de tu sábana vendré
    con un poema y un trombón
    a desvelarte el corazón.

    ¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
    Como un acróbata demente saltaré,
    sobre el abismo de tu escote hasta sentir
    que enloquecí tu corazón de libertad...
    ¡Ya vas a ver!

    (Recitado)

    Y asi diziendo, el loco me convida
    a andar en su ilusión super-sport
    Y vamos a correr por las cornisas
    ¡con una golondrina en el motor!

    De Vieytes nos aplauden: "¡Viva! ¡Viva!",
    los locos que inventaron el Amor,
    y un ángel y un soldado y una niña
    nos dan un valsecito bailador.

    Nos sale a saludar la gente linda...
    Y loco, pero tuyo, ¡qué sé yo!:
    provoca campanarios con su risa,
    y al fin, me mira, y canta a media voz:

    (Cantado)

    Quereme así, piantao, piantao, piantao...
    Trepate a esta ternura de locos que hay en mí,
    ponete esta peluca de alondras, ¡y volá!
    ¡Volá conmigo ya! ¡Vení, volá, vení!

    Quereme así, piantao, piantao, piantao...
    Abrite los amores que vamos a intentar
    la mágica locura total de revivir...
    ¡Vení, volá, vení! ¡Trai-lai-la-larará!

    (Gritado)

    ¡Viva! ¡Viva! ¡Viva!
    Loca el y loca yo...
    ¡Locos! ¡Locos! ¡Locos!
    ¡Loca el y loca yo


    ... E Viva os Loucos que inventaram o Amor...

    Cláudia Belintani
    Em um convite a se despir...
    A depor as máscaras que nos cegam.

    Um brinde à Luz.

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  3. isso tudo é muito você...
    astor piazzolla, máscaras, luz, sol e escuridão.

    Máscara: termo latino que indica a máscara que o ator teatral, tanto cômico como trágico, punha no próprio rosto no decorrer da representação. Usado para designar indiferentemente um aspecto da personalidade, da psique coletiva ou mundana que se encontra dentro da própria personalidade; uma estrutura da psique e, portanto, uma das subpersonalidades que giram ao redor do Eu, cuja relação com o próprio Eu muda continuamente no curso da vida; a imagem que o indivíduo mostra externamente, e enquanto tal um dos aspectos mais exteriores do próprio indivíduo; papel ou o “status social” do indivíduo nas relações com o mundo (cultural e social, e portanto, o aspecto que ele assume nas relações com a cultura e com a sociedade.

    Afinal de contas, somos obrigados a usar máscaras ou devemos tirá-las?

    Não se trata de desvencilhar-nos das máscaras, como tiramos uma roupa que não vamos mais usar. A questão é que, precisamos das máscaras todos os dias. É assim que garantimos o desempenho dos vários papéis nas nossas vidas ao nos relacionarmos. São atitudes adequadas para as várias circunstâncias que se apresentam na vida. O que importa é a consciência de que elas representam faces da personalidade que vêm da nossa Alma, como partes do todo que somos. Não se trata de eliminar as máscaras mas de aprender a conviver com elas, até que um dia não tenhamos mais necessidade disso. Dessa convivência, decorrem o nosso desenvolvimento intelectual, psíquico-emocional, moral e espiritual traduzindo a nossa atuação de ser-no-mundo, o que nos dá uma identidade. Este caráter mediador das máscaras, constituem-se em bastões em que nos apoiamos para dar conta do nosso modo de ser. São alavancas quando podemos mostrar um pouco mais da nossa essência interior em atitudes e são margens dando-nos a noção dos nossos limites e competências. Este “caminhar mascarado” nos conduzem na trajetória rumo à plenitude espiritual.
    Para Jung:
    Com o desenvolvimento da consciência, o ser humano, que é gregário por natureza, necessita desenvolver algumas características básicas para a adaptação social em contraste com seus instintos animalescos. É a persona o arquétipo desta adaptação.
    O nome vem da antiga máscara usada no teatro grego para representar esse ou aquele papel numa peça e tem, para Jung, o mesmo sentido, ou seja; persona é a máscara ou fachada aparente do indivíduo exibida de maneira a facilitar a comunicação com o seu mundo externo, com a sociedade onde vive e de acordo com os papéis dele exigidos. O objetivo principal é o de ser aceito pelo grupo social a que pertence.
    A persona é muito importante, na medida em que dependemos dela em nossos relacionamentos diários, no trabalho, na roda de amigos ou na convivência com o nosso grupo.
    Como qualquer outro componente psíquico, a persona possui um lado benéfico e outro maléfico. Em seus aspectos benéficos, a persona auxilia a convivência em sociedade, extremamente importante em nossos atuais dias. Também transmite uma certa sensação de segurança, na medida em que cada um desempenha exatamente o papel dele esperado, da melhor forma possível. Assim, espera-se de um médico que se comporte como tal, que atenda o paciente e que o cure dos males que o atingem. De um bombeiro, que seja solícito e enfrente, sem grandes medos os incêndios, e assim por diante.
    No sentido nefasto da persona, há o perigo de o indivíduo identificar-se com o papel por ele desempenhado fazendo com que a pessoa se distancie de sua própria natureza. Um médico, por exemplo, não é médico o tempo todo. Em casa é o pai, o marido, o filho e assim outras máscaras ele estará utilizando. Aqueles que são possuídos por sua persona, tornam-se pessoas difíceis de conviver, são rígidos em sua persona e exigem dos demais que se comportem igual a ele.
    A persona serve também como proteção contra nossas características internas as quais achamos que nos desabonam e, portanto, queremos esconder."

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  4. " benditos ladróes que roubaram as minhas máscaras, assim me tornei louco"." Liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido" , logo, louco. Que delícia!.Não conseguimos viver sem elas, embora às vezes elas nos sufoquem e queiramos arrancá-las de nosso rosto.
    O importante é sabermos que elas existem em cada um de nós, mas mais importante ainda é saber que podemos tirá-las se quisemos.

    MJ

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