quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O pesadelo de Borges

"Nos últimos dias, estive lendo livros de psicologia e me senti extremamente frustado. Todos falavam dos mecanismos ou dos temas dos sonhos (...) Mas não mencionavam o que eu queria, ou seja, o assombroso e estranho, no ato de sonhar.”

“Entremos agora no pesadelo, nos pesadelos. Os meus são sempre os mesmos. Eu diria que tenho dois que podem chegar a confundir-me. Tenho o pesadelo do labirinto- e este se deve, até certo ponto, a uma gravura que vi num livro frances quando criança. (...)
Outro pesadelo que tenho é o do espelho, que não me parece muito diferente, já que bastam dois espelhos opostos para se construir um labirinto.
O labirinto é o símbolo mais evidente do estar perdido. Sinto-me perdido tantas vezes; (algumas vezes) gratamente perdido (...); outras desoladamente perdido.
Sempre sonho com labirintos ou espelhos. No sonho do espelho, aparece uma outra visão, outro terror das minhas noites: a idéia das máscaras. As máscaras sempre me deram medo. De fato, quando criança, eu sentia que, se alguém usava uma máscara, era porque estava escondendo algo horrível. Meus pesadelos mais terríveis são aqueles onde me vejo refletido num espelho- com uma máscara no rosto. Tenho medo de arrancar a máscara porque temo ver meu rosto verdadeiro, que imagino medonho. Nele pode estar presente a lepra, o mal ou algo ainda mais terrível do que eu seria capaz de imaginar...”
Eu, assim como Borges, também tenho um sonho repetitivo com labirinto...
Um dia lindo, começo a entrar no labirinto... Escuto uma música clássica bem suave de fundo. Conforme vou me perdendo, a noite vem chegando e com isso a música vai se tornando cada vez mais forte até que se constitui em um único som grave e extremamente alto. O relógio marca meia noite. Percebo que fui devorada pelo labirinto... não consigo mais me encontrar e o prazo se esgotou. Nesse momento sempre acordo suando e levantando rapidamente da cama. Esse pesadelo me persegue desde quando eu tinha uns 6 anos de idade...

Carla Belintani

3 comentários:

  1. Linda, me leva pro labirinto com vc, eu te ajudo a sair!!!!!

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  2. "A sombra é como uma personalidade diferente - um tipo de ser primitivo, instintivo, animalesco. É um conjunto de desejos e sentimentos bárbaros que simplesmente não tem lugar na sociedade culta. A sombra é tudo que gostaríamos de ser, mas não ousamos. A sombra é tudo que nem mesmo conhecemos a respeito de nós mesmos, e assim, convenientemente a "esquecemos" pela negação e pela repressão."

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  3. Diego, obrigada por escrever! Admiro muito seus pensamentos e sua escrita. Foi em parte inspirada por nossas conversas de psicologia que postei tudo aquilo sobre o pesadelo do Borges.
    Se sinta a vontade para comentar o que quiser aqui... a casa é sua! Beijos

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