quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Cortázar em Barcelona

Caras lagartas comilonas,

Comecei esse ano indo ao encontro de quarta-feira, mas dessa vez não no ninho-caldeirão.

Quis assistir a uma peça de teatro em Barcelona. A primeira pesquisa que fiz pela internet foi a Sala Becket de teatro, eis que surge na página de entrada:

Cronópios Rotos: Variaciones sobre Cortázar 

Desacreditei...Logo abandonei a ideia de assistir a algo tipicamente espanhol ou tipicamente catalão para volver ao nosso querido argentino axolot. 

Os contos trabalhados na peça foram Torito e Grafite!

Fiz "lição de casa", como em nossas quartas li os contos antes de ir, em português e em espanhol, para conseguir acompanhar a peça, fiquei com receio de me focar apenas em tentar entender as palavras que diziam e não entrar no espetáculo de fato...

No palco estavam duas camas de hospital, uma com o narrador de Torito e, na outra, a moça de Grafite. Entre eles estava uma mulher sentada em um banco.

Os atores dramatizaram o texto, falando ele inteiro. Não há uma palavra fora. Quanto à mulher, ficou em silêncio do começo ao fim, à deriva dos discursos, intercalados, de cada um. Ambos dialogando com o silêncio.

A peça trabalhou "o ponto vélico" dos contos, a derrota das personagens, o "combate perdido", como estava escrito no folheto:

Tanto en Torito como en Graffit, assistimos a la evocación de um combate perdido: contra um rival más joven y preparado, en el caso del viejo boxeador, y contra la violencia institucional durante una dictadura en el de la joven. Y se trata en ambos, también, de la necessidad de compartir, de comunicar, de dar testemunho a la lucha y del fracasso, como si sólo el acto de narrar fuera capaz de dar sentido a una y a otro.

Faltou apenas o banquete compartilhado no caldeirão, pois de presença estavam todas, o espetáculo deu vida ao nosso encontro para mim e, agora, transmito isso a vocês através das palavras.

Vi uma Barcelona diversa. Das vielas charmosas, de prédios baixos com sacadas cheias de flores e roupas penduradas, das obras malucas e lindas de Gaudí, dos resquícios da Idade Média, com portões, igrejas,  muralhas, janelas com grade de ferro ao Picasso, Miró... e, o que mais me chamou atenção: as bordas das obras, onde a tinta e o papel acabam, ficando disformes, mostrando para mim que eles de fato fizeram aquilo, senti que torna menos distante e mais palpável, concreto, mais humano, imperfeito... Pude ver de Vick Cristina Barcelona, nos cafés, restaurantes e ruas às cenas do Biutiful, com camelôs guardando às pressas seus produtos e, em seguida, correndo disparado da polícia. 

Sebo vi um apenas e, ainda, com os mesmos preços nos livros das livrarias. Onde mais vi livros expostos à rua foi em bancas de jornal, as quais vendiam de filosofia, receita à literatura. 

Prima, o que é o Mar Mediterrâneo....? Tirei todas as camadas de meia, meia calça e entrei até o joelho, quase congelei, mas foi uma delícia!

Agora vou me arrumar para ir ao ninho nessa quarta-feira.

Hasta luego!

Besos!

Jú.





5 comentários:

  1. Que mágico! Imagine só Cortázar em Barcelona e um olhar de uma menina mulher encontrando o ponto de transição entre o norte e o Sul.
    O Mediterrâneo gelado te esquentando, dissolvendo as camadas e te deliciando.
    Acompanhamos vc... tão longe e tão perto.
    Bj minha menina.
    Tia Cláudia

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  2. Juju querida, eu tb tenho estado longe do caldeirão, mas por conta de meus olhos, mas depois da cirurgia o que mais me encantou foi a beleza de minhas orquideas!
    Barcelona é minha terra, e atualmente se transformou numa cidade de contrastes, mas ainda é considerada o centro cultural da Espanha. Esta noite sonei que estava lá(aì)e que ainda falava catalão muito bem(falava muito com a minha avó, e com meu pai, que já morreram).
    Aproveite bastante minha linda, e é bom saber que onde quer que estivermos, de alguma forma estamos sempre juntas.
    Bjo enorme.

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  3. Juju, o comentário acima é meu, sempre esqueço de assinar.

    Maria José.

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  4. ju, adoro seu o olhar para o mundo. você é minha amelie poulain, politizada e cheia de querer, desbravar, conhecer. orgulho danado de conviver contigo. beijo no coração, d.

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  5. Juju, que delícia de ler seu relato! Imagino como você se sentiu ao ver Cortazar em Barcelona...rsrsrsr
    Parece que através de seus olhos enxerguei tudo, os prédio, os cafés, Vick Barcelona, Biutiful....surpreendente! Amei!
    Parabéns, você fez uma bela viagem!!!
    beijocas com muitas saudades
    Silvia

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