domingo, 5 de agosto de 2012

POLTRONA BEAT


Esbarrar em Limites, Transcender, Alterar... Nós.

Por Silvia Bejar

Um Supermercado na Califórnia 
Allen Ginsberg

Como estive pensando em você esta noite, Walt Whitman, enquanto caminhava pelas ruas sob as árvores, com dor de cabeça, autoconsciente, olhando a lua cheia.

No meu cansaço faminto, fazendo o Shopping das imagens, entrei no supermercado das frutas de néon sonhando com tuas enumerações!

Que pêssegos e que penumbras! Famílias inteiras fazendo suas compras a noite! Corredores cheios de maridos!

Esposas entre os abacates, bebês nos tomates! – e você, Garcia Lorca, o que fazia lá, no meio das melancias?

Eu o vi Walt Whitman, sem filhos, velho vagabundo solitário, remexendo nas carnes do refrigerador e lançando olhares para os garotos da mercearia.

Ouvi-o fazer perguntas a cada um deles; Quem matou as costeletas de porco? Qual o preço das bananas? Será você meu Anjo?

Caminhei entre as brilhantes pilhas de latarias, seguindo-o e sendo seguido na minha imaginação pelo detetive da loja.

Perambulamos juntos pelos amplos corredores com nosso passo solitário, provando alcachofras, pegando cada um dos petiscos gelados e nunca passando pelo caixa.

Aonde vamos, Walt Whitman? As portas fecharão em uma hora. Para quais caminhos aponta tua barba esta noite? (Toco teu livro e sonho com nossa odisséia no supermercado e sinto-me absurdo)

Caminharemos a noite toda por solitárias ruas? As árvores somam sombras às sombras, luzes apagam-se nas casas, ficaremos ambos sós.

Vaguearemos sonhando com a América perdida do amor, passando pelos automóveis azuis nas vias expressas, voltando para nosso silencioso chalé?

Ah, pai querido, barba grisalha, velho e solitário professor de coragem, qual América era a sua quando Caronte parou de impelir sua balsa e Você na margem nevoenta, olhando a barca desaparecer nas negras águas do Letes?

(Tradução de Cláudio Willer )

Na mitologia grega Lete é um dos rios do Hades. Aqueles que bebessem ou até mesmo tocassem na sua água experimentariam o completo esquecimento.
Na mitologia grega, Caronte é o barqueiro do Hades, que carrega as almas dos recém-mortos sobre as águas dos rios Estige e Aqueronte que dividiam o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Uma moeda para pagá-la pelo trajeto, geralmente um óbolo ou danake, era por vezes colocado dentro ou sobre a boca dos cadáveres, de acordo com a tradição funerária da Grécia Antiga. Segundo alguns autores, aqueles que não tinham condições de pagar a quantia, ou aqueles cujos corpos não haviam sido enterrados, tinham de vagar pelas margens por cem anos. No mitema da catábase, alguns heróis - como Herácles, Orfeu, Enéas, Dioniso e Psiquê - conseguem viajar até o mundo inferior e retornar, ainda vivos, trazidos pela barca de Caronte.

Nos seus poemas, Walt Whitman elevou a condição do homem moderno, celebrando a natureza humana e a vida em geral em termos pouco convencionais. Na sua obra "Leaves of Grass", Whitman exprime em poemas visionários um certo panteísmo e um ideal de unidade cósmica que o Eu representa. Profundamente identificado com os ideais democráticos da nação americana, Whitman não deixou de celebrar o futuro da América.

Ficou ainda mais conhecido mundialmente a partir das citações inseridas no enredo do filme Sociedade dos Poetas Mortos.

Na série No Fim do Mundo, alguns poemas de Leaves of Grass são lidos na rádio local, originando uma disputa entre o locutor e o proprietário da rádio a propósito das supostas inclinações sexuais de Whitman e da conotação sexual da obra.

Fernando Pessoa escreveu um poema de nome "Saudação a Walt Whitman".
"Introduziu uma nova subjectividade na concepção poética e fez da sua poesia um hino à vida. A técnica inovadora dos seus poemas, nos quais a idéia de totalidade se traduziu no verso livre, influenciou não apenas a literatura americana posterior, mas todo o lirismo moderno, incluindo o poeta e ensaísta português Fernando Pessoa."

CORA CORALINA




A Simplicidade e o refinamento do olhar... O Duplo.

CASA VELHA DA PONTE

Cora Coralina
Por Maria Inês Bovesi (Nequinha)

Olho e vejo tua ancianidade vigorosa e sã.
Revejo teu corpo patinado pelo tempo, marcado das escaras da velhice. Desde quando ficaste assim?

Eu era menina e você já era a mesma, de paredes toscas, de beiradão desusado e feio, onde em dias de chuva se encolhiam as cabras soltas da cidade. Portais imensos para suas paredes rudes de barrotins e enchimento em lances sobrepostos salientes.

Folhas de portas pesadas de árvores fortes descomunais serradas a mão, unidas e aparelhadas, levantadas para a entrada e saída de gigantes homens feros, duros restos de bandeiras. Fechaduras anacrônicas, chavões de broca, gonzos rangentes de feitio estranho e pregos quadrados.

Minha Casa Velha da Ponte... assim a vejo e conto, sem datas e sem assentos. Assim a conheci e canto com minhas pobres letras. Desde sempre. Algum dia cerimonial foste casa nova, nm tempo perdido do passado, quando mãos escravas te levantaram em pedra, madeirame e barro. Esquadrejaram tua ossatura bronca, traçaram teus barrotões na cava certa e profunda dos esteios altos, encaixaram teus linhamentos, cumeeiras, pontaletes, freixais, arrochantes e empenas, duras aroeiras, lavradas a machado, com cheiro de florestas, arrastadas em carretões de bois. Vieram os barrotins das taipas e os caibros linheiros, tirados em santa lua. Os envarados de taquara, amarrados com tiras de couro cru em permanência secular. Enchimentos lacrados com viscoso barro goiano, argila de boa loiça que se lacrou para sempre, ao tempo e ao sol, indestrutível casa velha, assentada em pedras brutas e cernes de lei. O capim-musgo viça e cresce nos beirais encachoeirados, celebra em cada advento tua venerada idade, teu corpo encurvado, marcado de escaras carecido de reparos que ninguem mais faz. Todo o calendário de chuvas repetem-se em suas goteiras lacrimosas e se abrem novas em complicada cadência de gotas indefinidas, e é apenas um rotineiro afastar de cadeiras e malas desusadas para a liberdade de variados pingos, com suas variações de locações diversas a cada chuva de vento forte e renitente. Faz medo subir no velho telha-vã, abrir caminho no encaibrado escuro, no ripado frágil, afastar as telhas colados pelo tempo na desconfiança de que mais goteiras se abrirão. Com o sol tudo se recompõe. Os móveis voltam aos seus lugares, essquecidos a lástima e o choro manso das pingueiras.

Casa Velha da Ponte...
Velho documentário de passados tempos, vertente viva de estórias e de lendas. Gerações de rolinhas fogo-pagô descantam teus anos jubilares, desfilando nas altas cumeeiras, aninham-se nas mangueiras rotundas e mariscam suas coisinhas, sementinhas de capim na areia limpa do quintal. Geriarcas lagartixas, eternas inquilinas dos velhos muros e paredes brechadas se aquecem ao sol balançando sempre a cabecinha astuta.

Minha bisavó falava de seus antigos ancestrais.
O primeiro lembrado de outra bisavó - um certo Thebas Ruiz, recebedor dos quintos reais, antes de morrer enterrou no porão da casa ouro alvultado, grossas barras, moedas e mais lavrados. Para seguir preso para Portugal, prevaricador da Real Coroa, sonegador e esbanjador dos Quintos de El-Rei, bebeu seu copo de veneno, tendo antes feitos beber ao seu antigo escravo de confiança, que muito sabia e podia contar.

Depois veio um Sargento-mor, bisavô de muitos, portugues colonial. Um Cônego Couto, liberal e dono de moedas, montes de ouro, prataria. Contava minha avó que esse senhor Cônego, feito suas Humanidades em Coimbra, só almoava sua gorda feijoada goiana em pratos e talheres de ouro. Um capitão da guarda nacional, que dragonou milhares de homens felizes e analfabetos, capitães, majores e coronéis, enfeitados com galões dourados e vitalícios sem percalço de reforma. Um desembargador da Monarquia - meu pai -, minha mãe viúva. Minhas irmãs, eu, afinal a última sobrevivente de gerações passadas.

Estórias, fantasias de "enterro de ouro", muuito ouro que se pesava às arrobas, se encompridavam em barras e arredondavam as moedas e se laboravam em adornos. Escravos escavando em busca dos filões, veeiros que aprofundavam terra adentro, vigiados de feitores, esfalfando-se em trabalho muscular, nas lavras de um tal Vai-Vem que ainda hoje tem esse nome na posse de terceiros, perto de Goiás. E assim se criou a mística do "enterro de ouro"na Casa Velha da Ponte.

Contava minha bisavó de um certo Lourenço, jovem crioulo escravo, que um dia, ameaçado de castigo, rasgou o ventre num desvão da escada. Foi achado, quando o Capitão do Mato já ia a sua procura, caído, morto, rasgado a faca, com as mãos duras, agarradas aos caracóis do próprio intestino, roto e derramado. Depois de muito tempo, a negrada livre. Abolida a escravidão, as famílias empobrecidas, o serviço desorganizado na cidade e nos campos. A miséria das senzalas aos poucos se desfazendo, retiradas as telhas de valia. As taipas desprotegidas e abjetas. A decadência lenta, inexorável mais a mais, dia a dia, tempo a tempo. O pauperismo geral. A melancolia dos senhores definhando-se no saudosismo estéril de negras submissas e amedrontadas, de negros animalizados e crioulinhos regrados a palmatória. Os relhos dependurados, os açoites inúteis, as palmatórias ociosas. O sadismo sem mais onde cevar.

Os velhos muros socados, perdendo sua altura senhorial, caindo lance a lance, num desmoronamento vagaroso e contante até o raso dos alicerces de pedras grossas. Tudo pela falta de uma ou duas telhas que ninguem mais repunha; uns, por estarem perto e outros, por estarem longe. A lástima, a solidão.

A falsa aparência de uma casa grande. Morada de gente envelhecida, injustiçada, incapaz de reagir, empobrecida, triste, cevando um masoquismo incosciente e mazombo. Cerradas portas e janelas, resguardando de olhar estranho o desmazelo e a pobreza que se instalavam.

A busca aos gravetos do quintal, sempre generosos, para o primeiro fogo, o café da manhã. O pau de lenha. A xícara de sal, a compra resumida de um celamim de arroz...

A batida ansiosa entre velhos e crianças, a intera de vintem de cobre para alcançar o valor de verde e cheiroso quilo de café.

Os grandes inventos da pobreza disfarçada... Beldroegas... Um esparregado de folhas tenras de tomateiro. Mata-compadre de pé de muro. Ora-pro-nóbis, folhas grossas e macias, catadas das ramas espinhentas dum moiteiro de fundo de quintal. Refogados, gosmentos, comidos com angu de farinha e pimenta-de-cheiro, que tudo melhorava, estimulando glandulas vorazes de subalimentados.

O grande quintal gerador de abóboras, pepinos, quiabos e mandioca, abandonado ao mato invasor, na falta do braço escravo. Mangueiras, jabuticabeiras. Goiabas pelas pontas. Frutas no tempo certo. No tempo certo, vermelhas açucenas surgindo, místicas e solitárias, no seu caule esguio, entre pedras calcinadas na aridez da terra cascalhenta.

Neste emio me criei e me fiz jovem. Meus anseios extravasavam a velha casa. Arrombaram portas e janelas, e eu me fiz ao largo da vida. Andei por mundos ignotos e cavalguei o corcel branco do sonho. Pobre, vestida de cabelos brancos, voltei à velha Casa da Ponte, barco centenário encalhado no Rio Vermelho, contemporânea do Brasil Colonia, de monarcas e adventos. Ancorada na ponte, não quiseste partir rio abaixo, agarrada às pedras. Nem mesmo o rio pôde te arrastar, raivoso, transbordando-te, lavando tuas raízes profundas a cada cheia bravia, velha casa de tantos que se foram.

Ainda vive e pulsa aqui teu coração imortal, testemunha vigilante do passado. Humilde, pequenina e ofertante, a biquinha d'água, generosa, indiferente à decadência, a biquinha anciã de águas puras de ignota mina. Cantante e fria, correndo sempre menina na sua calha de aroeira. Biquinha, és banho e refrigério, copo de água cristalina e azul para sede de quem fez longa caminhada às vertentes do passado e volta vaiz às origens da sua própra vida.

Casa Velha da Ponte, és para o meu cântico ancestral uma benção madrinha do passado.


"vive em estado de graça com a poesia." Drummond

Quadrinhos da Vida 
Cora Coralina

São três. Três moças. Mocinhas velhas; moças porque não se casaram. Cada uma com seu corpo, seu jeito e seu modinho de contar, de conversar, coisas miudinhas de suas vidinhas.
Lia, Nhola, Joaninha.
Lia, espigada, sequinha. Paletó cinturado de babadinho; saia comprida de babado, paninho ralo, alegrinho, florado, desbotado, conservado.
Nhola, baixota, encorpadinha, vai emendando e pontilhando os casos que Lia conta. Pés no chão. Dizem que tem sapatos de entrar na igreja. Saindo fora, guarda, "inconomicamente".
Joaninha, ninguém conhece. Contam que é gorda e que não aguenta bater de a pé as dez léguas do caminho.
Vem à vila pela festa da padroeira, Nossa Senhora da Abadia e chamam Itaberaí de vila.
Joaninha fica guardando o taperado, cuidando da criação miúda, ansiosa do novo que vem da vila e que dá pra esmiuçar o ano inteiro.
Posseiras de cinquentanos...
Tem aguada boa na porta. Assinalada com três pés de gariroba, plantadas por elas - Lia, Nhola, Joaninha.
Dr. Jerônimo Pinheiro foi dono das terras devolutas. Na venda das terras, Doutor Jerônimo salvou em declaração formal de cartório, a posse das "mocinhas". Até que uma viva seja, ninguém bole na terra, nem corta uma gariroba.
Botam sua rocinha onde querem. Rocinha de concha da mão. Todo mundo ajuda; dá dias de serviço, safa a lavourinha do mato. Alisam seu porquinho caruncho, criam galinhas, metade bicho do mato pega. Tem seu cachorrinho, seu gato miau. Ranchinho perrengue, caxingado nas escoras, terreiro bem varridinho.
Conhecem toda gente à roda e são conhecidas de toda a gente, bem cobertadas com a proteção do Doutor Pinheiro.
Os velhos chegaram ali um dia, já faz tempo. Chegaram de a pé, de longe, da Serra da Canastra, "precurando suas mioras". Arrancharam num "quilaro"da mata, cheia de bichos, perto da aguada. Arribaram o galpão de barrote, ergueram o paió.
Lia, Nhola, pequetitas, vieram no lombo da eguinha, dentro do jacá pendurado na cangalha, uma de cada banda, os dobros em riba. Foi depois que nasceu Joaninha. Joaninha já nasceu ali na terra-de-ninguém. Se criaram. Passou tempo... Os "veios"morreram, um cada vez.
As terras começaram a ter donos. Implicavam, fuxicavam. Queriam saber delas, se tinham papel selado... por que não passavam pra Vila?... Se tinham medo disso, daquilo...
"Elas não tinham dicumento..."
A aguada dali era boa, melhor det odas, sem atoleiro nem esbarrancado. O povo ambicionava aquele bem situado, marcado com três pés de "gariroba". A estrada rodageira riscava perto.
Compradores de terra queriam quel elas desocupassem... Vinham com quilelê, mete medo. A i veio Doutor Jerônimo com sua fala de folgo e tudo se aquietou.
Enquanto uma sobrar viva, ninguém pisa ali, nem corta as garirobas.
Nhola tem um papinho e contas azuis no pescoço, entremeadas com medalhinhas de santo.
Lia contou:
- Não tinha nada em casa, nem isca de sal.
Então se eu fui em casa de Delíria e falei:
- Me prouve um polme de sal, Delíria, prum tempero.
Delíria falou:
- Não, Lia, hoje não. Hoje é dia de sexta-feira, num pode empresta sal...
Voltei pra casa. Tinha uma bobrinha, bati batidinha, sonsei com a lavage da vazia de sal. Todos comero. Deu pro cachorro, deu pro gato. De noite, Nhola chamou:
- Me acode, Lia, tou ruim...
Acudiro. Nhola tinha ânsia, tonteira, celeração, corpo largado, não via nada, nem a tampa da candeia. Dei chá de goiabera. Esperei clareá o dia, bandiei o congo, fui na casa de Delíria. Aí falei:
- Delíria, me prouve um insonso de sal, Nhola tá ruim...
Delíria me pruveu o sal.
Eu fiz um engrossado de farinha de milho. Nhola comeu, descansou, miorou e falou:
- Nunca comi comesinho tão bão. Louvado seja Deus.
Nóis demo gaitada... Aí correu mundo que Nhola teve vertige de fraqueza, falta de cumê... A casa se encheu de vizinho. Cada um trazendo uma coisa prá nóis. Até pedaço de capado e cuia de sal, café pilado e açúcar branco.
Nóis fiquemo tão contente... Nhola dava gaitada... virou uma infância.


CORA CORALINA

"Versos... não Poesia... não um modo diferente de contar velhas histórias"
(Poema Ressalva , extraído do livro Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais )

Voz viva da cidade de Goiás, personagem e símbolo da tradição da vida interiorana, Cora Coralina nasceu em 20 de agosto de 1889, na casa que pertencia à sua família há cerca de um século e que se tornaria o museu que hoje reconta sua história. Filha do Desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto e Jacita Luiza do Couto Brandão, Cora, ou Ana Lins dos Guimarães Peixoto (seu nome de batismo), cursou apenas as primeiras letras com mestra Silvina e já aos 14 anos escreveu seus primeiros contos e poemas. Tragédia na Roça foi seu primeiro conto publicado.


Em 1934 casou-se com o advogado Cantídio Tolentino Bretas e foi morar em Jabuticabal, interior de São Paulo, onde nasceram e foram criados seus seis filhos. Só voltou a viver em Goiás em 1956, mais de vinte anos depois de ficar viúva e já produzindo sua obra definitiva. O reencontro de Cora com a cidade e as histórias de sua formação alavancou seu espírito criativo.


Tradições e festas religiosas, a comida típica da região, as famílias e seus 'causos', tudo motivava a escritora fazer uma ponte entre o passado e presente da cidade, numa tentativa de registrar sua história e entender as mudanças. Nas suas próprias palavras: "rever, escrever e assinar os autos do Passado antes que o Tempo passe tudo ao raso". Com a mesma rica simplicidade de seus personagens, Cora fazia doces cristalizados para vender.
Seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e outras histórias mais , foi publicado em 1965, e levou Cora, aos 75 anos, finalmente a ser reconhecida como a grande porta-voz de uma realidade interiorana já afetada pelo avanço da modernidade. O poeta Carlos Drummond de Andrade, surpreendido com a obra de Cora, escreveu-lhe em 1979: "(...) Admiro e amo você como a alguém que vive em estado de graça com a poesia. Seu livro é um encanto, seu lirismo tem a força e a delicadezadas coisas naturais (...)".
Cora Coralina faleceu em Goiânia a 10 de abril de 1985. Logo após sua morte, seus amigos e parentes uniram-se para criar a Casa de Coralina, que mantém um museu com objetos da escritora.
- Doutor Honoris Causa - Universidade Federal de Goiás (1983)
- Troféu Juca Pato - União Brasileira dos Escritores (1983)
- Troféu Cora Coralina - Coordenadoria de Moral e Civismo da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro (1982)
- Grande Prêmio da Crítica - Associação Paulista de Críticos de Arte 




Obras de Cora Coralina
- Estórias da Casa Velha da Ponte
- Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais
- Meninos Verdes (infantil)
- Meu livro de cordel
- O Tesouro da Casa Velha
- Vintém de Cobre
- A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu (Infantil)
- Cora Coragem Cora Poesia (biografia escrita por sua filha Vicência Bretas Than)
Outras Biografias
Cora Coralina
Biografia:
Ana Lins de Guimarães Peixoto Bretas, nasceu no estado de Goiás (Goiás Velho) em 1889. Filha de Jacinta Luíza do Couto Brandão Peixoto e do Desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimarães. Em 25 de novembro de 1911 deixa Goiás indo morar no interior de São Paulo. Volta para Goiás em 1954, depois de 45 anos.
Cora Coralina era chamada Aninha da Ponte da Lapa. Tendo apenas instrução primária e sendo doceira de profissão.
Publicou seu primeiro livro aos 75 anos de idade. Ficou famosa principalmente quando suas obras chegaram até as mãos de Carlos Drummond de Andrade, quando ela tinha quase 90 anos de idade.
Sua obra se caracteriza pela espontaneidade e pelo retrato que traça do povo do seu Estado, seus costumes e seus sentimentos.
Faleceu em 10 abril de 1985 em Goiânia.
Publicou: Estórias da Casa Velha da Ponte, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, Os Meninos Verdes, Meu Livro de Cordel, O Tesouro da Velha Casa, Becos de Goiás (1977); e Vintém de cobre: meias confissões de Aninha (1983). Troféu Juca Pato (1983), da União Brasileira de Escritores, que a elegeu a Intelectual do Ano.



sábado, 4 de agosto de 2012

O MAR ABSOLUTO DA NEQUINHA


Um Brinde à Delicadeza...


Oi Tixas, tudo bem?

Ontem foi muito bom, não?
Vamos reverenciar a nossa Tixa Mary Inês que foi a cirandeira!
Leu com o coração “Mar Absoluto” e nos emocionou muito.
Joanaaa, o link foi ótimo, super elucidativo!! Os poemas foram maravilhosos.
Lemos todos, todas Tixas leram e declamamos juntas Canteiros e depois cantamos. Foi melhor declamando..rsrsrs
É só perguntar pro Boaz. Coitado fica exposto com essa mulherada transloucada (beat).......
Cecília Meireles (1901-1964) nasceu e morreu no RJ. Criada pela avó (os pais morreram quando ela era apenas um bebê), sempre foi uma aluna brilhante. Cecília iniciou parnasiana, fez duas obras mais simbolistas e depois ligou-se ao Modernismo, mas nunca realmente pertenceu totalmente a uma escola. Escreveu uma obra extremamente intimista e foi reconhecida largamente: foi a primeira mulher a ganhar um prêmio da ABL, ensinou na UERJ e na universidade do Texas. Além de poetisa, Cecília também foi teatróloga e tradutora. Poderíamos falar que Cecília era o contraponto nessa época?
Foi uma grata surpresa conhecer a Cecília assim tão de perto.  Acho que todas estamos muito emocionadas com o AMOR.
A nobia, nem se fala, quando você olha de soslaio, ela tá secando as lágrimas que insistem cair....lindo.
Frases de Cláudia: - O amor é a melhor coisa do mundo!
Replica da Adri: - Ah, isso eu já sabia!!!!
Risos geral
Cláudia: - Eu to ficando dócil....fazendo beicinho.
Aí, as ausentes conseguem imaginar tudo isso no balcão? Degustando um maravilhoso jantar que por sinal não tem nome o prato ainda...coisas da novia!
Depois fui para a poltrona ler “Um Supermercado na Califórnia” de Allen Ginsberg, pois pirei na geração beat. Quanto mais leio mais quero ler, parece um vício! Que foi bacana também, parece que deu um fogo na galera!!!! Vou passar para a Cláudia postar.

Para a próxima semana:
A cirandeira da Cecilia, Maria Inês, vai sugerir um conto e até sábado saberemos;
Para a poltrona a nossa gauchita Adri lendo Walt Whitman.

Beijocas com amor Sil Azul