sexta-feira, 9 de agosto de 2013

CARTA ABERTA A UM ESCRITOR

Um sonho...

Somos uma Confraria de leitura constituída de 16 mulheres que existe há quatro anos.

Este grupo é formado por psicólogas, jornalistas, bailarinas e empresárias.

Estudamos autores latinos americanos e chegamos até você.

Mergulhamos nos seus contos.

Foi um encantamento geral.
Viajamos com os pés no chão.

Choramos e rimos.

Sentimos a essência da sua obra.

 Estávamos planejando viajar para Moçambique para trocar um olhar, uma ideia, um pensamento.

Nos identificamos com suas mulheres, choramos com seus homens, nos emocionamos com seus meninos e aprendemos com seus velhos.

Para nossa surpresa, soubemos da sua vinda para São Paulo e com muita pretensão, gostaríamos de recebê-lo para um bate papo.

Imaginamos que sua agenda deva estar atribulada, mas se vive de sonhos (abensonhados) e de repente pode ser que  a magia aconteça e eles se transformem em realidade.

Estamos à disposição para qualquer possibilidade de encontro.

No seu tempo.

Aguardamos retorno.

Com carinho,
Confraria das Lagartixas

MIA

'Duas mulheres taitianas' - Paul Gauguin

O Amor, Meu Amor

Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.

Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.

E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.

E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.

Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.

Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.

Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.

E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.

E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.

Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.

Mia Couto, in "idades cidades divindades"
        


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Leda Hamparian

Feira de Sonhos...

Foi assim:

Ela chegou
pertinho,
devagarinho, 
com um "Pote Vazio" 
nas mãos
e
sussurrou para mim
que
organizava 
uma
feira 
de 
sonhos...

Bastava 
um
espaço qualquer
para amontoar
livros
e
o sonho
acontecia.

Com vocês,
Leda
Labriola
Hamparian

A Livreira.