quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

HISTÓRIAS MÍNIMAS

Foto: Margaret

"Meu amado e eu nos presenteamos com coisas mínimas, mas que tenham história.
Numa de suas peregrinações, foi de encontro com uma escultura de elefante.
O vendedor, um sábio homem, disse que não poderia vender um só, pois a família deveria estar unida.
Meu querido, prontamente, arrematou toda a manada e o mais novo é uma peça pequenina, algo que me inspirou um cuidado maior.
Nossa secretária, que se chama "Delicata", eventualmente limpa a estante - nestes dias, quando chego, meu olhar vai direto em busca da família e descubro que o pequeno se perdeu.
Com o coração apertado, reviro a casa, o encontro e encaixo o pequeno em seu lugar."
Joana

Foto: Margaret

"A África me encantou.
Especialmente as Elefantas.
Descobri que as manadas são compostas de fêmeas.
Os machos só acompanham as mulheres enquanto bebês.
Depois são condenados a caminhar sozinhos e só se aproximam para acasalar.
A Matriarca mais velha é quem conduz o destino da família.
Meu olhar se perdeu na Areia e no Tempo…" 
Margaret

Foto: Margaret

"Ontem a noite girou em volta da mesa, com um universo de histórias saltando das estantes, das paredes, dos discos e livros que envolvem a harmonia e a alegria de alguém que vive vivendo.
Gatos Miaram, Mulheres choraram, Contos Cantaram e o caldeirão se acendeu."
Cláudia

"Estou digerindo o Universo. (Pi)"
Denise

"Este conto foi Foda"
Adri

"Vem cá meu Anão..."
Carla



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Postado por Lagartixa no Blog das Lagartixas em 2/21/2013 05:32:00 PM

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

As Aventuras de Pi


QUAL DAS DUAS HISTÓRIAS VOCÊ PREFERE?


Por mais que esteja claro para muitos que há diversas respostas possíveis a um único acontecimento e que não há uma só verdade, mas muitas, particulares e possíveis ao olhar de cada um, quando nos deparamos com o final de "As aventuras de Pi", nos inclinamos a nos conformar com a verdade do comum acordo - a verdade baseada na lógica, nua e crua - pelo menos em nosso contexto ocidental racional. Isso, creio, por estarmos mareados e imersos em uma realidade tão plausível pela forma com a qual é mostrada no filme, que o final nos faz despencar do alto, no qual estávamos há pouco flutuando sem esforço, e também emergir das entranhas que estavam sendo cutucadas. 

Particularmente, acho natural e fascinante deparar-me com situações no cotidiano que não chamam atenção por sua linearidade e nem razão lógica, mas pela beleza de sua peculiaridade e sentido próprio, com uma lógica não científica, mas sim imprevisível e muito coerente, como, por exemplo, no caso de coincidências.

A busca por respostas cria teorias, crenças e significações. Por mais conflito que haja entre religião e ciência, ambas se propõem a oferecer respostas que se tornam confortos para nossas dúvidas e inquietações. Fato é que a beleza do filme se dá pela 1ª versão da história, que simboliza a 2ª 'concreta'. O que toca e envolve é a relação natureza e humano, terreno e divino e não a brutalidade que emerge sem aviso em um situação extrema. Talvez ambas estejam falando das mesmas coisas, mas de maneiras diferentes, afinal, os fatos permanecem os mesmos (o navio naufraga, apenas ele sobrevive, perde sua família e sofre). 


Assisti ao filme por três vezes. A primeira me deixou em transe, a segunda instigada e a terceira confortada. Em meu primeiro contato, cheguei em casa como se estivesse mareada e colocada em meu devido lugar, uma gota dentro de um todo, imenso, impetuoso e mágico. Pensei em ligar a televisão, mas achei que seria como um sacrilégio. Não liguei e fui me deitar. Não consegui parar de pensar na profusão de imagens e no meu incomodo particular de dormir sozinha em uma casa. Liguei a televisão. No instante seguinte a luz do prédio inteiro se apagou, restando apenas a televisão com tela azul acesa, que por ali ficou um bom tempo. Nada com luz, nem mesmo o aparelho da net, mas a tv em azul ligada escrito Aiwa. Aquela tela azul começou a ondular nas bordas... ondas azuis... como se não bastasse, ela solta um gemido, como um rosnar para dentro, como quando Richard Parker estava enjoado. Levantei as mãos e disse "Tá bem, não ligarei a tv". Tudo se apagou e, depois de muito tempo, assim que fechei os olhos, a luz se acendeu de forma abrupta.

Nesse primeiro contato senti que eu vivia em um mundo de fantasia, ainda mais com o   reforço da situação pós filme (televisão), pois para mim a 1ª história fazia muito mais sentido que a 2ª, o que me deixou desiludida, pois pareceu obvio que a verdade seria a do fim do filme. Da segunda vez, fui com o olhar de detetive, buscando a razão da lógica, do palpável, do dito e mostrado. Saí conformada e desencantada, como Pi quando é interditado por seu pai frente ao tigre, passando a ver o mundo com "fatos, frações e francês". Mas resolvi ir uma terceira vez, foi quando vi que pouco importava a explicação, os fatos eram os mesmos, a diferença era na maneira de olhar e de até onde buscar entender. Me esclarece bem mais sobre o ser um humano a 1ª versão do que a 2ª, pois ela mostra o não dito, o dentro, o motor de tais fatos e não só a descrição desses de maneira assustadora. Todos temos tigres dentro de nós e teremos tanta ou mais dificuldade de equilibrá-lo, e não anula-lo, com nossa humanidade.


"Qual das duas histórias você prefere?" é uma pergunta a cada telespectador, como se nos questionasse "De que maneira você escolheu olhar/encarar a vida?".


Penso se não há muito mais verdade em mostrar o tigre que existe dentro de nós e a luta interna entre instinto e razão. Será que não poderia ser isso mais chocante e desnudo do que apenas descrever fatos de brutalidade que nos parecem tão estranhos a um humano? Me parece mais concreto ver a potência do tigre em cena do que ouvir um relato que eu preferia não ter escutado ou que, ao ouvir, procurarei esquecer, pois é insuportável lidar com tal fato "desumano".

Penso que a ciência é uma crença tão válida como a religião, são as respostas que nos servem, que nos fazem sentido. Tanto é que as verdades da religião continuam não concretas e as verdades da ciência continuam sempre se modificando. Talvez a grande dificuldade seja persistir na ideia de tentar descobrir uma verdade, excluindo todas as outras, tão necessárias e complementares. Talvez seja daí o atrito ao se relacionar com um outro, pois não se enxerga ou não se respeita as verdades de cada um, que podem se modificar no convívio e fazer crescer, ao invés de seguir estagnado defendendo sua verdade absoluta - e absorta.


Beijos!

Jú Ramiro Belintani.


Trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=nt-w9p_eQL4