Quando li "O Dia do Chacal", me apaixonei pelo matador. Eu sabia que De Gaulle não seria assassinado, mas mesmo assim, entrei em transe, embalada pelo protagonista e pelo olhar do detetive que o perseguia. O matador, com seu olhar cinza e mãos precisas, fez parte do meu desejo de adolescente. E claro, a eloquencia do meu pai comentando o livro, mostrando a admiração que o perseguidor e o perseguido mantinham um pelo outro.
Foi meu primeiro contato com F.F. (nosso íntimo, assim como postou a MJ).
Depois caiu em minhas mãos (o velho de novo com suas descobertas), o Sem Perdão, livro de contos, que tivemos o prazer de degustar um deles na semana passada.
De novo a paixão no inesperado no conto "Sem Perdão" (uma tênue descoberta que resulta em obssessão) e mais um matador frio, desta vez movido pela batuta do desejo do outro de possuir. Final surpreendente. Uma chuva inesperada, "ao acaso" e tudo se desmorona.
Agora, tenho o prazer de trazer para vocês O Imperador, um conto que está tatuado na menina que assistia o pai numa narrativa que me move até hoje. Ele (o velho), comentando a luta de dois vencedores, o homem que se descobre vivo e o peixe que dá vida ao homem. História de pescaria e redenção. O homem enclausurado na rotina, se despe e renasce para si mesmo depois de um dia de sol. Consigo visualizar suas mãos sangrando, sua pele branca e frágil castigada pelo sol e o momento da libertação: onde homem e animal se encontram.
Dedico esta página ao homem que me trouxe para esta confraria: meu pai.
Está aí velho: Seu Imperador...
Com todo o meu amor,
Cláudia Belintani



